Em 18 anos como jornalista esportivo, felizmente tive pouco contato com dirigentes de futebol. Mas o suficiente para comprovar a tese de que a maioria deles não entende nada sobre a administração desse que é o maior negócio de entretenimento do século 21.
Certa vez, procurei o amigo do rei de plantão que ocupava a diretoria de marketing de um grande clube brasileiro. A idéia era fazer uma revista daquele clube, atendendo à demanda de milhões de torcedores espalhados principalmente pelo Brasil, mas também pelo exterior.
O plantonista analisou a proposta, fez cara de satisfeito e soltou a seguinte pérola: “Precisamos mesmo ter a nossa revista, porque o Espéria já tem uma”. Ele se referia ao Clube Espéria, tradicionalíssimo clube paulistano que pratica arco e flecha, atletismo, basquetebol, canoagem, caratê, futsal, ginástica rítmica, judô, natação, pólo aquático, remo, tênis e vôlei. Mas cuja popularidade e potencial de marketing, com todo o respeito, jamais poderão ser comparados aos de um clube de futebol profissional.
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Essa eu não presenciei, mas fiquei sabendo de fonte segura. Um empresário apaixonado resolveu montar um site, de graça, para um outro grande clube brasileiro, aliás o maior rival daquele que foi insinuado na história anterior. Em troca, o empresário pedia apenas a oficialização do site pelo próprio clube.
Para isso, o empresário convidou o presidente do clube para visitar as instalações do site. Lá, mostrou, orgulhoso, o número de e-mails que recebia de todos os estados do país, e até de outros países, enviados pelos torcedores. Esperava, com isso, que o velho cartola vislumbrasse as possibilidades do empreendimento.
“E quanto o nosso clube ganha por e-mail recebido?”, perguntou o arcaico cartola. Constrangido, o empresário explicou delicadamente que ninguém paga nem recebe para enviar e-mails. O presidente do clube encerrou a conversa com uma única frase: “Então, não nos interessa”.