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Hoje em esportes
Argentina adia a ressurreição de Ronaldinho
(Ter, 19 Ago, 04h58)
 

Por Sérgio Rizzo

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O baile argentino no Estádio dos Trabalhadores de Pequim inseriu em nova perspectiva os interesses privados que dificultaram a formação da equipe masculina brasileira de futebol nos Jogos Olímpicos. Os conflitos entre clubes europeus e a CBF já apontavam para um período de relacionamento difícil em próximas convocações, inclusive as previstas no calendário da Fifa. Agora, o fiasco tende a reforçar a posição de alguns clubes e a enfraquecer ainda mais a da CBF.

É provável que dirigentes de Schalke 04 e Werder Bremen, por exemplo, estivessem torcendo para o bom desempenho de Rafinha e Diego. Já que não conseguiram levá-los de volta à Alemanha, seria melhor que os dois retornassem com a medalha de ouro, autoconfiança redobrada e maior prestígio internacional.

Não seria maluquice imaginar, entretanto, que os dirigentes desses clubes tenham reagido ao fiasco da seleção brasileira com um sorriso na linha do “se tudo aquilo serviu para isso, estávamos certos: seria melhor que não tivessem ido”.

Sem Rafinha, o Schalke 04 começou a disputar uma vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões (e, junto com ela, uma senhora injeção de euros no orçamento) contra o Atlético de Madri. Na semana passada, em Gelsenkirchen, venceu por 1 a 0. No próximo dia 27, em tarefa das mais difíceis, tentará manter a vantagem no jogo de volta, na Espanha.

É improvável que Rafinha esteja em boas condições para esse jogo decisivo, sem ter feito a pré-temporada e sob efeito da campanha na China. Além disso, o lateral já perdeu a primeira rodada da Bundesliga (3 x 0 no Hanôver), vai perder a próxima (clássico no próximo sábado contra o Werder em Bremen) e talvez uma ou duas seguintes.

No Werder, Diego também não fez a pré-temporada integral e não esteve em campo na primeira rodada da Bundesliga (2 x 2 com o Arminia Bielefeld). Vai perder ainda o confronto com o Schalke 04 e talvez mais alguns, até se aclimatar novamente (e superar o mal-estar gerado pela apresentação à seleção contra a vontade do clube).

Ronaldinho protagoniza a história mais curiosa. O Barcelona não estava disposto a liberá-lo, mas seu novo clube, o Milan, entendeu que os Jogos Olímpicos poderiam servir para a sua ressurreição como craque e, de quebra, para uma prévia da futura dupla milanista (e fantasista, como dizem os italianos) com Alexandre Pato.

No fim das contas, Ronaldinho foi consolado pelo amigo Messi depois dos 3 x 0 e Pato, no banco desde as quartas-de-final, teve atuação decepcionante na China.

Ponto para o Barcelona, que não queria ceder Ronaldinho, muito menos Messi, mas se viu subitamente sem os dois. Apenas um deles retornará de Pequim para o Nou Camp – e, tudo indica, será com a medalha de ouro, autoconfiança redobrada e maior prestígio internacional.

O placar em Pequim foi Argentina 3 x 0 Brasil, mas pode ser lido também, de forma simbólica, como Barcelona 1 x 0 Milan.

 
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