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Histórias do Xerife Moisés
Sex, 29 Ago, 02h49
Por Celso Unzelte
Celso Unzelte

Moisés Mathias de Andrade, o Moisés, foi zagueiro de Vasco, Bonsucesso, Botafogo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Portuguesa (SP) e Bangu, entre o final da década de 1960 e o início da de 1980. Morreu aos 60 anos, na madrugada de terça, 26 de agosto..

Durante toda a carreira, Moisés cultivou a fama de zagueiro mau, violento, e o apelido de Xerife. Tudo começou em um Vasco x Botafogo, em 1971, em que ele, ainda emprestado pelo Botafogo ao Vasco, quebrou a perna de Jairzinho. “Eu não entrei para machucar, não faria isso nunca”, defendeu-se na época Moisés. “Ele é um cavalo dentro de campo e uma moça fora dele”, acusou Jair.

Com o tempo, Moisés tratou de capitalizar a fama de durão a seu favor. Costumava dizer coisas como “comigo atacante não tem colher-de-chá”, “dividiu a bola é minha”, “dentro de campo eu esqueço até que tenho mãe”. E principalmente a frase com que entrou para a história do futebol: “Zagueiro que se preza não ganha o Belfort Duarte”. Ele se referia ao tradicional prêmio conferido aos jogadores com dez anos de atividade sem expulsões.

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Na Seleção Brasileira, Moisés chegou a fazer parte da lista dos 40 pré-selecionados para a Copa do Mundo de 1974, ano em que foi campeão brasileiro pelo Vasco. “Se me quiserem na Seleção, estou aqui, prontinho”, costumava avisar.

Acabaria realizando uma única partida com a camisa amarela,um amistoso contra a União Soviética, em Moscou. Vitória brasileira por 1 a 0, no dia 21 de junho de 1973. ***************************************************************************

Moisés foi campeão carioca em 1970 e brasileiro em 1974 pelo Vasco. No Rio, teve passagens também pelo Bonsucesso, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Bangu, onde encerrou a carreira de jogador e começou a de técnico. Mas deixou sua marca também no Corinthians, onde foi campeão paulista em 1977, quebrando um jejum de 22 anos sem o título estadual.

Durante aquela campanha histórica, impôs respeito dentro de campo e também fora dele. Segundo suas próprias palavras, em depoimento dado a mim setembro do ano passado, Moisés precisou até dar uns “dois tapas de efeito moral” em um certo jornalista, que o acusou de estar fazendo corpo mole com a camisa corintiana.

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Fora de campo, a paixão de Moisés era outro esporte, a pesca submarina. Gostava de contar que, certa vez, um tubarão “tirou o time de campo” ao perceber que sua possível vítima era o zagueirão... E foi por causa da saudade dessas pescarias semanais na Barra da Tijuca que Moisés forçou sua transferência para o Flamengo, em 1978.

Para convencer Vicente Matheus a liberá-lo, Moisés passou a ir todo os dias ao gabinete do presidente corintiano com roupa surrada e barba por fazer. Esfregou cebola nos olhos para chorar, gessou a perna, mostrou até papéis fajutos do INSS. E afinal conseguiu a liberação.


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