Alternativa para clubes europeus que precisam se livrar de jogadores e buscar outros, mas talvez não tenham dinheiro para isso em virtude da crise econômica: recorrer ao expediente com que Francisco Horta, ex-presidente do Fluminense, animou o futebol carioca na segunda metade dos anos 70.
Como o mundo da época tinha malícia, mas ainda era um pouco inocente em relação a hoje, a prática foi batizada de troca-troca e consistia na transferência de jogadores sem movimentação de dinheiro, na base do “toma esses e me dá aqueles”.
A rigor, a NBA funciona assim: jogadores sob contrato saem de um time para outro em trocas – por outro(s) jogador(es), por opções do “draft” (o sorteio dos calouros antes do início de cada temporada, em que as equipes de pior desempenho nos últimos campeonatos têm preferência) ou por alguma outra vantagem que as franquias envolvidas queiram negociar, em operações que podem reunir mais de dois times.
No futebol europeu, muitas vezes as negociações se aproximam desse modelo, quando um ou mais jogadores são usados para abater parte do valor da transferência de um atleta mais valioso. É o que o Real Madrid supostamente tentou fazer com Robinho, sem êxito, na novela Cristiano Ronaldo.
Com a aproximação da janela de transferências, alguns jogadores têm usado a imprensa para dizer que estão insatisfeitos e gostariam de trocar de ares. Entre os brasileiros, são exemplos recentes o zagueiro Alex, do Chelsea, e o atacante Adriano, da Internazionale.
Em ambos os casos, encontrar quem esteja disposto a pagar o valor da rescisão contratual será difícil. De acordo com o método de Horta, Alex poderia reforçar a defesa da Inter e Adriano disputaria vaga no ataque do Chelsea em 2009, em trocas definitivas ou provisórias, e os dois clubes não mexeriam nas contas, exceto em relação a diferenças salariais. Claro que é só um exemplo, uma vez que essa troca específica não atenderia às necessidades desses clubes.
No fundo, os próximos meses talvez demonstrem que a crise contribuirá para acentuar a já razoável distância entre os gigantes europeus – que, com chuva ou sol, têm recursos para investir, mobilizados pelo valor da marca e pelo patrimônio de fãs – e os clubes medianos ou pequenos, mais sujeitos a turbulências em virtude de eventuais dificuldades de caixa.