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Kaká, Robinho, Felipão em crise: Brasil-sil-sil!
Ter, 20 Jan, 07h13
Por Sérgio Rizzo
Sérgio Rizzo

Cristiano Ronaldo reinou solitário por alguns dias depois de receber o prêmio de melhor jogador de 2008 segundo o júri de treinadores e capitães de seleções nacionais, mas os brasileiros, que andaram em baixa na votação da Fifa, logo voltaram a ocupar espaço privilegiado na mídia esportiva global.

A frustrada transferência de Kaká para o Manchester City durou bem menos do que a novela Cristiano Ronaldo-Real Madrid (que, aliás, talvez ainda não tenha sido encerrada e esteja apenas em recesso público). No final das contas, foi mais parecida com uma minissérie de ação concentrada em poucos episódios, com suspense até o último instante e um final-surpresa.

Há quem diga que as primeiras declarações de Kaká, sobre permanecer no Milan até o fim da carreira, eram apenas jogo de cena para acalmar a torcida do Milan, que se mobilizou em torno de sua permanência. A recusa da oferta, no entanto, é o que sobra de concreto, e configura uma atitude incomum no ambiente profissionalizado (e, portanto, frio) do futebol de ponta europeu.

A imprensa brasileira gosta de lembrar que Kaká é um jogador diferenciado, muito mais maduro e sereno do que a imensa maioria dos colegas. Seu “dia do fico” apenas reforçou essa impressão.

Como aponta o noticiário, ele tomou a decisão em companhia apenas da mulher, contra o desejo de todos os outros envolvidos direta ou indiretamente na negociação (incluindo o próprio Milan e, de longe, o São Paulo, que faturaria cerca de 3% por ser o clube formador do craque).

Um casal que resiste à tentação de embolsar mais alguns milhões de euros por ano para manter a qualidade de vida em uma cidade como Milão, para preservar o jogador em uma equipe de alta competitividade e para sacramentar seu lugar na história do Milan é mesmo diferenciado, simplesmente porque pensa com equilíbrio no que fazer. Basta lembrar o que outros jogadores e suas famílias costumam aprontar em circunstâncias muito menos complexas e tentadoras.

Robinho, por exemplo. Na atrapalhada transferência para o Manchester City (melhor estaria no Chelsea, com quem negociava) e, agora, no abandono da concentração sem comunicar o clube, notícia que contribuiu (e deve contribuir mais um pouco nos próximos dias) para manter os brazucas com destaque no noticiário esportivo internacional.

Quem também ajudou a fazer isso nas últimas semanas foi Felipão, que via se complicar rapidamente o seu trabalho no Chelsea. As últimas vitórias, ainda que sem brilho, o tiraram da mira preferencial da imprensa britânica (a minissérie Kaká ajudou a desviar a atenção), mas agora parece remota, sobretudo com a recuperação do Manchester United no campeonato, a possibilidade de o clube londrino retomar a coroa nacional.

Ninguém se lembrará dessas semanas turbulentas, no entanto, se Felipão ajudar o Chelsea a conquistar a Liga dos Campeões. Em seu caminho, a primeira pedreira será a Juventus, adversário nas oitavas-de-final, com jogos marcados para 25 de fevereiro, em Londres, e 10 de março, em Turim.

Kaká, para alegria da torcida do Milan, deverá estar em campo pela Copa Uefa no mata-mata contra o Werder Bremen, nos dias 18 (na Alemanha) e 26 de fevereiro (na Itália).

Por falar em Copa Uefa, a torcida do Manchester City espera a presença de Robinho nos duelos contra o Copenhague, primeiro na Dinamarca e depois na Inglaterra, também nos dias 18 e 26 de fevereiro. Ou será que ele não volta?


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