Três rodadas do que já foi o campeonato mais charmoso do Brasil e nada acontece. Os 100% de Botafogo e Flamengo não mostram um sucesso muito diferente do que fizeram Vasco e Fluminense. A sorte e as arbitragens são as principais responsáveis. Além, é claro, dos adversários mais fracos do grupo B.
É claro que há méritos nas equipes. Isso não podemos negar. Fora o Rubro-Negro, os demais estão com equipes novas, montadas em apenas um mês e menos que isso de treinamento. Todos estão patinando. Até mesmo a turma da Gávea, que, com o novo treinador, ainda não encontrou um padrão de jogo.
O Flamengo sofre com a falta de criatividade no meio de campo. Isto tem dois motivos: o primeiro é a falta de um armador mais criativo. Kléberson, Ibson, Marcelinho Paraíba e Everton foram experimentados e não foram bem. Contra o Mesquita, Zé Roberto é a luz no fim do túnel. Ainda sim, teremos que dar tempo a Cuca para aprender a lidar com uma equipe que tem quatro volantes, dois zagueiros e tem que atacar.
Na mesma chave, o Botafogo apresenta o mesmo problema. Maicosuel foi bem na estréia, mas não reeditou a atuação nos jogos seguintes. Lucas Silva parece um cego em meio a um bombardeio em Gaza. Não marca, não arma e não passa. Algo está errado. A solução de Ney Franco foi colocar mais um volante. A boa dupla de ataque precisa de munição. Talvez se resolver a nulidade da lateral esquerda, o treinador tire um pouco da responsabilidade de Alessandro, sobrecarregado.
O drama vascaíno é o mais complicado. Apesar das duas goleadas (Duque de Caxias - 3 a 1 e Tigres - 4 a 0), as coisas estão longe de se acertarem. Foram contratados 18 jogadores e Dorival Jr sabe que tem muito trabalho pela frente. É promissor até agora. Entretanto, precisamos ver as coisas com calma. Tudo é muito novo. O clássico de domingo contra o Fluminense pode ser um marco neste início de temporada. Uma vitória daria muito mais confiança ao grupo. E uma derrota poderia apontar problemas ainda não mostrados.
Renê Simões está prestes a cutucar a onça de vara curtíssima. Está certo em tirar a moral de Leandro Amaral, que deixou de ser jogador para ser uma prima-dona. O volúvel atacante não tem jogado nada e seu companheiro Roger, menos ainda. Os reservas Tartá e Maicon estão jogando muito mais. E, como não poderia deixar de ser, o Tricolor tinha que fazer uma grande besteira. Thiago Neves por seis meses é a prova de que, em questão de planejamento, o Fluminense é uma piada de mau gosto.
Por fim, a coluna presta uma homenagem a um homem, que nunca se preocupou em aparecer. Trabalhou sempre na formação de jovens e foi responsável pela melhoria técnica de muitos craques. O descobridor de Edinho e Carlos Alberto Torres. O homem da bola de meia. A morte de Roberto Alvarenga empobrece ainda mais o nosso futebol. Tomara que lá de cima, ele consiga ajudar o seu vilipendiado Fluminense.