As rivalidades locais não irão acabar ou não serão minimizadas com a decadência dos estaduais. Exemplo histórico e histérico é o “maior” de todos os grenais, o do “século” (XX), o de fevereiro de 1989. O jogo ganhou o epíteto por ter sido um mata-mata válido pela semifinal do BR-88 – coroado pela epopeia que foi a virada colorada contra o Grêmio. Foram 376 clássicos gaúchos até hoje. E o “mais importante” de todos ganhou esse peso justamente por ter sido maior que o Rio Grande. Ter valido o Brasil – e o passaporte para a Libertadores da América de 1989.
Amo de paixão infantil (e até mesmo imatura) os estaduais. Adoraria ver o retorno dos torneios regionais (desde que contássemos com 525 dias num ano). Prefiro gozar e aturar vizinhos a tirar sarro de argentinos e ingleses em disputas internacionais. Mas tudo isso cabe dentro das competições nacionais. E mesmo nas importadas, como na brilhante vitória palmeirense na até então inexpugnável Ilha de Lost rubro-negra. Um clássico brasileiro que fez América de dois times que irão brigar pela Libertadores ainda nesta temporada.
Mas o papo aqui é para louvar o fim de semana cheio de tensões caseiras, de birras de bairro, de reuniões renhidas de condomínio. No Rio, pode valer título antecipado uma vitória do bom Botafogo sobre o mais que ajustado (e descansado) Vasco. Mas será que valia a pena ter mandado os titulares para Campos para perder para o Americano? Os valores não estão invertidos? Ao menos o Flamengo pode celebrar ter mandado um mistão que pouco jogou no Pará, mas voltou classificado e com o jogo de volta cancelado. Mais tempo para treinar o muito que o time de Cuca precisa para vencer um Fluminense mais qualificado e organizado. Mas que pode perder tudo em 90 minutos ruins. Ou nos 90 minutos possíveis e passíveis de redenção de um grande clássico.
Zebras não existem em duelos locais de gigantes. Favoritos, sim. Pelo regulamento, pelos elencos e/ou entrosamentos, Palmeiras tem mais chances que o Santos, como o São Paulo tem mais possibilidades que o Corinthians. Ainda mais em longos 180 minutos de decisão.
RONALDO - Mano ainda não achou o melhor jeito de ajudar Ronaldo no Corinthians. Mas o Fenômeno já se reencontrou com o gol e com o gosto dele. O único invicto entre os grandes brasileiros depende demais de Ronaldo para superar o São Paulo dono de um sistema defensivo fenomenal nas últimas temporadas.
ADRIANO - Na área, quando joga, ele dá mais que para os muitos gastos que desgastam sua imagem. Fora dela, porém, impera em Adriano uma mania malvada de desandar, de desencanar, de dar para trás tudo que o futebol lhe deu bem à frente de muitos rivais.
Adriano é muito mais vítima que algoz. Dele e desse mundo imundo das celebridades que nos brindam com doses cavalares e asininas de personalidades impessoais, de marcas que não deixam marcas, de etiquetas que não colam, de carimbos que borram e se borram, de grifes de gafes, de “famosos” infames de uma sociedade que só parece valorizar quem se dá bem na grana, na cama, na fama. E na grama deles de cada dia.
Os problemas de Adriano são só dele. Mas os problemas que ele causa devem ser um alerta a tantos nomes que podem se perder no mundinho da bola.
DIEGO TARDELLI - Todos os estaduais não são parâmetro. Mas o que tem feito Tardelli no Galo é tão elogiável quanto a forma do Cruzeiro (até a tunda de La Plata). Só espero não queimar a língua pela zilionésima vez com ele. E com mais um punhado de jogadores que se perdem porque se acham.