Basta registrar que saíram apenas quatro gols em quatro jogos para caracterizar as semifinais da Liga dos Campeões e da Copa Uefa como confrontos dignos da Copa Libertadores: muito “respeito” de um adversário pelo outro, com os donos da casa tentando a vitória, mas sem arriscar-se a levar gols que complicassem o confronto de 180 minutos, e os visitantes fechadinhos atrás, dispostos a resolver a parada na partida de volta.
Em alguns casos, o que se viu foi de uma chatice muito inferior à qualidade dos times em campo, como no 0 x 0 entre Barcelona e Chelsea. Em tirada de humor do jornal inglês “The Guardian”, o time londrino exibiu no Nou Camp o esquema 9-0-1.
A brincadeira não fica muito distante do pragmatismo com que Terry, Ballack, Drogba e cia. resolveram encarar o futebol envolvente de Messi e seus companheiros, empenhados quase que exclusivamente em não levar gols na Espanha para resolver a disputa, quem sabe com um mísero 1 x 0, em Stamford Bridge, na próxima quarta-feira.
Já o Manchester foi um pouco mais feliz do que o Barcelona ao fazer valer o mando de campo e, graças a um gol improvável de O’Shea, também ironizado pela imprensa inglesa, vai ao Emirates Stadium, na próxima terça-feira, com uma vantagem que pode parecer pequena, mas é tremendamente significativa em situações de equilíbrio quase absoluto como entre os quatro semifinalistas da Liga dos Campeões.
No terreno objetivo das probabilidades, se tornaram maiores as chances de Manchester e Chelsea repetirem, em Roma, a final do ano passado, em Moscou. Mas ninguém com bom senso pode descartar eventuais confrontos entre Manchester e Barcelona, entre Arsenal e Chelsea, ou mesmo entre Arsenal e Barcelona – que, assim, repetiriam a final de 2006, em Paris.
Na Copa Uefa, os equilibradíssimos clássicos nacionais deram vantagem ao Shaktar Donetsk, que receberá na próxima quinta-feira o Dínamo de Kiev com a possibilidade de se classificar com uma vitória simples ou até um 0 x 0, e mais ainda ao Hamburgo, que foi a Bremen e, ao voltar para casa com uma vitória simples, terá a seu favor qualquer empate no jogo de volta contra o Werder.
Aqui, as probabilidades de que a final reúna Shaktar e Hamburgo são ainda maiores do que as de Manchester x Chelsea na Liga dos Campeões.
A boa notícia para os quatro confrontos da próxima semana é que o aspecto cerebral dos jogos de ida deve ser abandonado, ao menos nos segundos tempos das partidas, por um espírito de “seja o que Deus quiser”. Aperte os cintos e, desta vez, aguarde mais gols.