Coluna de Futebol do Mauro Beting - Yahoo! Esportes

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Burros expiatórios
Qui, 28 Mai, 02h34
Por Mauro Beting
Mauro Beting

O Cruzeiro venceu bem o São Paulo pela Libertadores e tem futebol, time, elenco, entrosamento, camisa e história para segurar o Tricolor que tem tudo isso – mas não jogou melhor que o rival no Mineirão, e não tem atuado bem em 2009.

O Inter virou bonito para cima do Coritiba pela Copa do Brasil, e tem tido, quando quer, o melhor futebol do país. Até quando não está completo e/ou não joga bem, tem vencido seus rivais. É favorito para ser finalista da Copa do Brasil, é o único 100% no BR-09 depois de três rodadas (duas delas com mistão, duas fora de casa, e duas contra rivais diretos – Corinthians e Palmeiras).

O São Paulo ganhou os últimos três títulos nacionais, foi campeão do mundo em 2005, manteve a base, tem o elenco com mais opções do país, e muito do sucesso se deve à manutenção de uma filosofia de (muito) trabalho no Morumbi.

Mas pergunte a muitos cruzeirenses, colorados e são-paulinos se estão realmente satisfeitos com o desempenho de suas equipes em 2009. O Inter ganhou invicto o RS-09 e não poucos não apreciam o titês falado e o futebol jogado pela turma do cada vez melhor Taison – unanimidade inteligente no Beira-Rio. O Cruzeiro segue firme e Adilson é cornetado por muita gente. Muricy até quando dava volta olímpica – e deu muitas desde 2006 - era contestado, externa e internamente.

Serão tão ruins assim os nossos treinadores? Somos tão ruins quanto eles em nossas cobranças?

Ou, no caso, e em outros tantos, o que eles podem fazer com elencos limitados, desmontados ou depauperados a cada seis meses, não é muito mais que isso? Eles são tão “burros” ou não dão condições para que eles sejam mais “inteligentes”?

Estamos vivendo um momento em que é bom não ser ótimo. Isto é: quanto melhor o time, quanto mais gente qualificada, pior para a permanência dessa equipe. Vai pintar uma proposta de fora (e todas elas são “irrecusáveis” também pela crise econômica) e o nosso craque (ou pretenso), a nossa estrela (ou nebulosa) vai mais rapidamente para fora do Brasil que foi para as manchetes esportivas.

Nossos treinadores se viram com o que têm. Trocam de turbina durante o vôo. Quando, muitas vezes, não substituem o jato pela hélice de um teco-teco. Quando a máquina deles não vira um planador que vai com o vento. Para onde, não se sabe.

Se não podemos ficar com nossos craques – e eles não têm sido tantos, mesmo lá fora; se não podemos manter nossas equipes – por isso tudo e muito menos; então, ao menos, que possamos dar força, tempo e paciência aos bons treinadores. Com tudo isso, aos poucos, eles montam times ao menos competitivos, também pela repetição, manutenção, entrosamento. Paciência.

Como esse Corinthians do Mano, que tem uma base há um ano e meio, e que agora colhe os frutos – e até as iguarias como o desigual Ronaldo.

Para tanto, porém, é preciso dar toda a trela sem estrelas e todo o tempo intempestivo ao treinador de plantão. Para que ele possa fazer um Corinthians favorito para superar o Vasco de Dorival Júnior. Outro técnico que faz muito com o pouco que tem.


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