Foi um dos melhores primeiros tempos da Seleção de Dunga o da estreia na Copa das Confederações contra o bem armado e abusado campeão africano. Acabou sendo a primeira vez em 41 jogos que o time do treinador levou três gols, e só venceu o Egito por 4 a 3 aos 45 minutos, num pênalti convertido por Kaká, e cavado por Lúcio, e bem observado por um dos árbitros. Só não me pergunte qual. E, espero, como.
O Brasil que iniciou nem parecia um time formado por jogadores em fim de temporada, desfusorados, e depois do desgaste de dois jogos duros pelas Eliminatórias. Aos 4 minutos a Seleção já se impôs, com um golaço de Kaká, chapelando e passando pela zaga egípcia. Mas, na primeira pontada alheia, explorando os mistérios da expugnável lateral esquerda brasileira (volta, Roberto Carlos! Convoca o Fábio Aurélio, Dunga!), Zidan (que nome!) empatou, aos 8. De cabeça; como desempataria Luís Fabiano, aos 11; como ampliaria Juan, aos 36, em dois belos cruzamentos de Elano.
O Brasil marcava bem à frente, Elano e Felipe Melo ajudavam Kaká a construir, Robinho queria jogo, Luís Fabiano era letal. Ótimo primeiro tempo. O Brasil voltou – inteligentemente - tirando o pé do acelerador, esperando o Egito atacar para a Seleção aproveitar o que tem de melhor – o contragolpe. Com o meia ofensivo Eid aberto para cima de Kléber a partir dos cinco minutos, e sem a devida ajuda de Felipe Melo, o time africano melhorou. Mas foi pelo outro lado, num intervalo de apenas 52 segundos, que Shawky e Zidan (que nome…) empataram em dois belos lances, em duas desatenções seguidas do Brasil.
Em menos de um minuto, um jogo tranquilo virou um mistério, um enigma. Ramires entrou para atacar mais que Elano, e conseguiu. Pato mais uma vez entrou e não se achou no lugar do apagado Robinho. Com Al Muhamadi fazendo parceria com Eid, Dunga teve de estrear André Santos para tentar fechar o lado esquerdo.
O empate já era até bom negócio para o Brasil quando caiu do céu o gol da vitória. Depois de a Seleção cair na real e sofrer mais que o esperado num jogo melhor que a própria competição.
2010 - Marcos; Cafu, Antonio Carlos, Cris e Roberto Carlos; Roque Júnior e Emerson; Juninho Paulista e Rivaldo; Élber e Romário. Foi o Brasil no Uruguai, nas Eliminatórias-02, na estreia de Felipão, em julho de 2001. Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Kleberson, Gilberto Silva e Roberto Carlos; Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo; Ronaldo. O Brasil que venceu a Alemanha, no Japão, e foi penta mundial. Em menos de um ano, o esquema mudou do 4-2-2-2 para o 3-4-2-1; Marcos, Cafu e Roberto Carlos (como alas, não como laterais), Roque Júnior (como zagueiro, não como volante) e Rivaldo foram mantidos. Fora Juninho Paulista, os demais não estiveram na Copa – Emerson porque se machucou.
Dida; Cicinho, Lúcio, Roque Júnior e Gilberto; Emerson e Zé Roberto; Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Adriano e Robinho. O Brasil que goleou a Argentina por 4 a 1 em Frankfurt, em junho de 2005, e conquistou a Copa das Confederações. Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Gilberto Silva e Zé Roberto; Juninho Pernambucano e Kaká; Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. O Brasil que, menos de um ano depois, no mesmo estádio, perdeu para a França de Zidane e foi eliminado nas quartas-de-final da Copa de 2006. Com o mesmo 4-2-2-2 de um ano antes. Com cinco titulares mantidos (apenas um deslocado de função). Mas com um futebol muito abaixo daquela ótima média.
O Brasil que superou o bom Egito, o desgaste da temporada, o cansaço da viagem, o fuso horário, e mesmo os problemas defensivos, começou a Copa das Confederações de 2009 com Júlio César, Daniel Alves, Lúcio, Juan, Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano, Kaká, Luís Fabiano e Robinho praticamente como nomes certos para 2010. Dentro do que é possível antecipar qualquer coisa – sobretudo no futebol brasileiro, para bem e para o mal. Dentro do que é possível usar a expressão “nome certo” com algumas atuações ainda incertas num grupo que está montado, porém não está fechado. E nem deve estar.
Afinal, em junho de 2001, quem era Kleberson? Quem parecia ser Kaká? Em 1993, Ronaldo nem era titular do Cruzeiro um anos antes da Copa. No Brasil, é dever esperar. Ainda mais este Brasil.