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Novos “anjos” do Real consolidam lógica milionária de Pérez
Ter, 16 Jun, 08h29
Por Sérgio Rizzo
Sérgio Rizzo

Depois de Kaká e de Cristiano Ronaldo, qual o próximo astro do futebol europeu a seguir para o Real Madrid? Diversos nomes continuam a ser especulados, como os de David Villa, Franck Ribéry e Diego Forlán. A única certeza, no entanto, é de que a farra das contratações não vai parar tão cedo.

Quem quiser entender um pouco melhor a lógica de Florentino Pérez, o novo presidente do clube, tem ótima leitura à disposição: “Anjos Brancos à Beira do Inferno – Os Bastidores do Real Madrid”, de John Carlin, publicado no Brasil em 2006 pela Relume Dumará.

No livro, Carlin reconstitui os bastidores da montagem do primeiro time dos “galácticos”, durante a gestão anterior de Pérez, com destaque especial para a chegada de David Beckham ao Santiago Bernabeu, em 2003, para se juntar a Raúl, Roberto Carlos, Figo, Zidane e Ronaldo.

Pérez demonstrou a Carlin, na ponta do lápis, que todas as contratações milionárias (em especial a de Beckham, considerada por ele uma estupidez do Manchester United) geraram lucros. Diretos, com venda de camisas, patrocínios, ingressos e turnês, e indiretos, agregando valor incalculável à marca Real Madrid em todo o planeta.

Os resultados obtidos em campo por aquele time ficaram muito aquém do que se esperava, mas Pérez não pareceu se importar muito com isso. Sua prioridade era fazer do time uma referência insuperável, naquele período, em matéria de talento, ainda que a competitividade fosse prejudicada.

Desta vez, no entanto, ele dá sinais de aperfeiçoar o estilo. Os dois primeiros astros contratados estão no auge da forma, ainda com muitos anos de bom futebol a queimar (ao contrário do próprio Beckham quando desembarcou em Madri, já iniciando a curva final de sua carreira). Quanto vale a exposição de mídia obtida pelo Real nos últimos dias, e que não vai diminuir tão cedo?

Escolhas equivocadas para treinar a equipe -- como a do português Carlos Queiroz, em seguida à demissão de Vicente del Bosque, hoje na seleção espanhola -- também prejudicaram o desempenho em campo na primeira metade da década.

Agora, a opção por Manuel Pellegrini (ex-Villarreal) indica a preferência por alguém que mostrou trabalho consistente nos últimos anos, inclusive na Liga dos Campeões, a obsessão do Real, e que tem perfil para gerenciar uma equipe capaz de combinar espetáculo com bons resultados.

Em “Anjos Brancos”, Carlin mostra também os efeitos dessa política agressiva de contratações sobre os jogadores de elite. Beckham, por exemplo, forçou a saída do Manchester United unicamente porque o clube interessado era o Real -- desejo que, segundo Pérez, possibilitou que o negócio fosse fechado por preço muito inferior ao valor do atleta no mercado planetário de celebridades.

A situação se repete. Kaká não quis ir para o Manchester City, mas foi para o Real. Cristiano Ronaldo, de olho na contratação de Kaká e na provável chegada de outros craques, sentiu firmeza para deixar o Manchester United.

E o Bayern de Munique divulgou hoje que o Barcelona deve desistir de Ribéry, pois o jogador teria dito aos dirigentes alemães que, se sair (o que o Bayern garante não desejar), será apenas para jogar no Real.

Com Kaká e Cristiano Ronaldo ao lado, quem não quer ser um “anjo branco”?


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