Desde que a Copa das Confederações se consolidou no calendário da Fifa como um torneio intertemporada europeia que antecede em um ano a Copa do Mundo, quem mais tem a aprender com ela são os anfitriões.
Foi assim com a Coréia e o Japão, que ensaiaram direitinho em 2001 para o Mundial de 2002, e com a Alemanha, que fez o mesmo em 2005 para a festa do ano seguinte.
(Entre uma e outra, e antes que a Fifa optasse por realizá-la a cada quatro anos, houve também uma Copa das Confederações na França, em 2003.)
Os sul-africanos e a própria Fifa devem acompanhar com lupa o torneio, dentro e fora dos gramados, para evitar a repetição de problemas (como arquibancadas vazias e polêmicas em relação ao uso da TV em decisões da arbitragem) em 2010.
No contexto do negócio global em que se transformou o futebol nas mãos da Fifa, a Copa das Confederações (e, diriam os mais críticos, a própria Copa do Mundo) é um evento de caráter comercial e administrativo. Os aspectos técnicos vêm em segundo plano.
Não convém acreditar muito, portanto, na ideia de que a Copa em disputa neste momento na África do Sul possa ser encarada como uma prévia da disputa pelo título em 2010. Basta observar o que ocorreu nas edições anteriores para constatar, ao contrário, que a competição traz o risco elevado de produzir miragens.
Em 2001, os franceses -- então campeões mundiais e europeus -- levantaram o troféu, derrotando o Brasil na semifinal e o Japão na final, no moderno estádio de Yokohama. Em cinco partidas, fizeram 12 gols e levaram apenas dois, e sem Zidane.
No ano seguinte, com Zidane em campo apenas na terceira partida, a França voltou para casa ao final da primeira fase, sem marcar um mísero gol. Quem esteve no estádio de Yokohama para a final foi o Brasil -- que, entre a Copa das Confederações e o Mundial, trocou de técnico e de base.
(Na derrota para a França na Copa das Confederações, 1 x 2, Leão escalou Dida, Zé Maria, Lucio, Edmilson e Leo; Leomar, Fabio Rochemback, Carlos Miguel e Ramon; Leandro e Washington. Lucio e Edmilson seriam titulares em 2002; além deles, apenas Dida esteve no grupo do penta.)
Em 2005, o Brasil foi campeão. Em cinco partidas, marcou 12 gols e levou seis. Os alemães caíram na semifinal, 3 x 2. Na final, 4 x 1 contra a Argentina, a exibição de gala sugeriu que havia ali um novo time dos sonhos, escalado na ocasião por Parreira com Dida, Cicinho, Lucio, Roque Junior e Gilberto; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Robinho e Adriano.
Dessa equipe, apenas Roque Junior não foi à Alemanha; sete jogadores mantiveram a titularidade na Copa e Parreira seguiu no comando (ou nem tanto). Desnecessário lembrar o que ocorreu.
Treino é treino, jogo é jogo, dizia Didi. Copa das Confederações é Copa das Confederações, e não pode virar Copa das Ilusões -- como Dunga, aliás, demonstra saber muito bem, o que já é meio caminho andado para não pisar no tomate quando a conquista interessar de verdade, em 2010.