Se alguém tinha dúvida de que as loucuras financeiras do presidente Florentino Pérez garantem ao Real Madrid um lugar privilegiado na vitrine da mídia global, as 50 mil pessoas que receberam hoje Kaká no Santiago Bernabeu -- multidão que representaria o terceiro maior público do atual Campeonato Brasileiro -- se encarregaram de desfazê-las.
Feita a apresentação em alto estilo, com ampla exposição da marca do clube (e de seus patrocinadores) na imprensa mundial, o segundo passo será o incremento na venda de camisas com o número 8 (antes usado pelo argentino Gago, que assumirá a 5 com a saída do italiano Cannavaro).
Daqui a pouco chega Cristiano Ronaldo, e haverá novo frenesi no Santiago Bernabeu.
O zagueiro espanhol Albiol (ex-Valencia) já faz parte do elenco e tudo indica que outro compatriota, o lateral Arbeloa, do Liverpool, será o próximo contratado da segunda era “galáctica”.
Só com esses quatro primeiros reforços, a conta deve chegar a cerca de 180 milhões de euros.
(Calma, internauta: o atacante argentino Saviola foi cedido ao Benfica por 5 milhões de euros. Na contabilidade de Pérez, um Cristiano Ronaldo vale 19 Saviolas. Saldo negativo das transações, por enquanto: apenas 175 milhões de euros.)
Outros grandes clubes europeus prometem ir às compras na janela de transferências do verão, como Manchester United (de olho no atacante francês Benzema, do Lyon), Milan (interessado em Luís Fabiano, do Sevilla, e Miranda, do São Paulo), Barcelona (namorando o atacante espanhol David Villa, do Valencia) e Chelsea (voltado para o meia francês Ribéry, do Bayern de Munique, que também é desejado por Manchester, Barcelona e Real, e para Alexandre Pato, do Milan).
O único disposto a torrar dinheiro nos mesmos padrões de Pérez, no entanto, parece ser o Manchester City. Segundo a imprensa inglesa, o clube de Robinho e Elano estaria disposto a formar um ataque dos sonhos, pagando 35 milhões de euros pelo argentino Carlos Tévez e 30 milhões de euros pelo camaronês Samuel Eto’o.
As ambições do City, informa o diário “The Guardian”, passam por um acordo com a Endemol Sport, braço de eventos esportivos da produtora holandesa que criou o programa “Big Brother”, para administrar a estratégia de marketing que, no médio prazo, levaria o clube a rivalizar com o United e o Real Madrid no mercado global.
Público-alvo: jovens com menos de 25 anos que acompanham a Premier League em diversos países, mas ainda não foram “fidelizados” por nenhum clube.
Com Robinho, Tévez e Eto’o, faria algum sentido.