Coluna de Futebol do Sérgio Rizzo - Yahoo! Esportes

Yahoo! Esportes - 'Soccer' ainda precisa de muita vitamina para crescer nos EUA
'Soccer' ainda precisa de muita vitamina para crescer nos EUA
Ter, 07 Jul, 05h51
Por Sérgio Rizzo
Sérgio Rizzo

NOVA YORK – A vitória da seleção nacional contra a Espanha e o primeiro tempo contra o Brasil na Copa das Confederações deram outros 15 minutos de visibilidade para o “soccer” nos EUA, mas no 16º. minuto as pessoas voltaram a dedicar atenção a outras coisas. O esporte mais popular do mundo está muito longe de vencer sua lenta batalha pelos corações e mentes dos torcedores locais.

Batalha inglória, diga-se. O cenário norte-americano já é dominado por três ou quatro esportes enraizados na cultura do país; sobra algum espaço significativo para crescimento apenas entre os imigrantes que vêm de países onde o futebol é popular.

O problema é que esse contingente de torcedores prefere acompanhar os campeonatos do exterior, alguns dos quais transmitidos por canais da TV paga (como a Liga dos Campeões, a Premier League e o Brasileirão).

Moral da história, como David Beckham descobriu rapidamente em seu milionário programa de pré-aposentadoria no Los Angeles Galaxy: quando a seleção nacional (masculina ou feminina) disputa algo com chances de vencer, o público norte-americano, louco por uma competição em que o país possa triunfar, volta um pouco os olhos para o esporte; já a Major League Soccer (MLS), a liga profissional de futebol, continua a ser um primo pobríssimo da NBA, da MLB e da NFL, as ligas de basquete, beisebol e futebol americano.

Um detalhe revelador do longo caminho a percorrer é a página do “The New York Times” dedicada às estatísticas esportivas. Os quadros de beisebol, com o campeonato em andamento, trazem inúmeras colunas de dados com abreviaturas que não são explicadas em lugar nenhum. Qualquer leitor sabe, desde criança, o que significam. Já a tabela de classificação da MLS traz as vitórias na primeira coluna, modo norte-americano de entender quem está na frente, e vem com a seguinte explicação didática: “vitórias valem três pontos e empates, um”.

Eles se esforçam, como se percebe, mas ainda falta muito, e esse muito talvez jamais seja percorrido.

Não passou despercebida, justamente por causa disso, uma ironia do mundo dos negócios: a ESPN, canal norte-americano de TV, adquiriu os direitos de transmissão da Premier League para a própria Inglaterra, em substituição ao grupo Setanta.

Claro que as subsidiárias internacionais da ESPN sabem cobrir futebol porque o fazem há muitos anos, e os ingleses não têm por que temer queda abrupta de qualidade. Mas, para os norte-americanos, a situação se assemelha a uma hipotética transmissão do campeonato de beisebol dos EUA para o público doméstico feita pelos britânicos da BBC. Simbologia devastadora.

Os próprios norte-americanos reconhecem que o “soccer” não é a praia deles, e que o golaço do Donovan (colega de Beckham no Galaxy) contra o Brasil é mais uma andorinha que não consegue sozinha fazer verão.


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