América?
Em 1960, ano um da Libertadores, América era o rival que só seria superado em 1965 pelo timaço de Tostão, na conquista do 13º. estadual. Pela primeira vez a Raposa tinha mais títulos mineiros que o Coelho.
No ano da inauguração do Mineirão.
Marco zero dos (a partir de então) 23 estaduais, três regionais, seis canecos de caráter nacional, mais cinco títulos continentais, e duas Libertadores que deixaram mais celeste o céu mineiro. Mais estrelado o belo horizonte sul-americano.
Mas não mais azul a Terra.
Esta esteve aos pés que se perderam em algum ponto do Mineirão platino. Pincharrata. Do tetra dos Estudiantes. Dos Verón, pai, filho e espírito do tetracampeão que acabou com o sonho do tri celeste.
“Oitenta por cento de ferro nas almas, noventa por cento de ferro” nas arquibancadas, cem por cento de prata no gramado. É o “hábito de sofrer que tanto diverte” o cruzeirense (com a permissão de Drummond pelo arrastão nas letras do poeta mineiro).
O Cruzeiro de 2009 é uma fotografia na parede. Como dói depois de tanto endoidecer na bela campanha. Escreveu o poeta de Itabira: “Ai, América, só suspirando. Suspiro brando, que pelos ares vai se exalando”.
O Cruzeiro foi isso em 1976. Foi o pé direito maroto, malandro, manso, mineiro, matuto de Joãozinho fazendo curva e história em Santiago. Deixando à beira do River que passou pela vida celeste um rival batido pelo veneno da falta batida antes do apito do juiz, antes do juízo da falta que seria gol de Nelinho, e foi antologia com o gesto de Joãozinho.
O Cruzeiro foi isso em 1997. Foi o pé direito maroto, mineiro e matuto de Elivélton fazendo de fora da área e deixando fora dos autos o Sporting trincado como Cristal em 1997. Numa vitória da virada na história de um time que parecia perdido na Libertadores até se achar como campeão. Como Cruzeiro. Vencendo rivais externos e internos nos modos. Na muda. No mineiro jeito de ser Cruzeiro. De chutar a pedra no meio do caminho como se chuta uma bola.
O Cruzeiro foi isso em 2009. Foi o pé direito de Henrique que foi Nelinho no Morumbi, que foi Joãozinho-76, que foi Elivélton-97, que parecia ser o gol campeão aos 6 minutos do segundo tempo, na primeira chance azul. Mas faltou um pé na cobertura a Cellay no gol de Fernández. Mas faltou Henrique subir como Boselli na virada. Faltou alguém para botar as bolas nos devidos lugares como Verón.
A rosa do povo da China azul murchou. Não deu na neve de Munique, não deu do outro lado do planeta no Japão. Talvez dê em 2010. É só manter o muito que tem dado certo. Drummond mais uma vez nos guia: “Para o diabo vá a razão quando o futebol invade o coração”.
Vai, Cruzeiro, ser campeão na vida.
E vem, Verón, ser campeón um dia no Brasil.
BR-09 – Jogue com quatro na zaga, o Galo vence; jogue com três atrás, dá Atlético. Até onde vai o time de Roth, não sei. Só sei que os resultados são excelentes para um treinador que pegou um grupo abalado e limitado.
Até onde pode chegar o Palmeiras de Jorginho, também não tenho ideia. Só sei que é interessante cogitar se vale a pena pagar tanto por treinadores top. Quem deveria saber é o patrão. O problema é que eles não parecem saber nada. Pagam o que não devem, o que não podem. Os treinadores não são tão burros como imaginamos – até porque ganham senhores salários. Mas também não são tão maravilhosos para receber essa grana toda. Eles não têm culpa – só mérito. Se pedem e dão a eles tudo isso e mais um pouco, a irresponsabilidade é do patrão. Eu já pedi para um chefe um salário maior que o do presidente da empresa onde eu trabalhava – e ele não pagou. E ninguém deve pagar, ainda mais em tempos de crise. Assim como também é dever dar mais segurança aos que estão empregados. Até porque sai caro ficar mandando embora treinador a cada goleada sofrida.