A Itália brasileira – o Goiás – lotou o meio-campo com uma tropa de volantes, pululou a zaga de beques, e não deixou o Atlético Mineiro chegar e jogar. Numa pontada no contragolpe, fez aquilo que não deixou o Galo realizar em seu terreiro. Uma bela vitória que aproxima do G-4 cada vez menos previsível.
O Atlético ainda é o líder. Mas com a mesma pontuação do Palmeiras. Com as mesmas vitórias. Só com um golzão a mais que o time paulista, que fez o que Obina quis no Dérbi contra um Corinthians carente do machucado Ronaldo. E, também, dos que deixam o time mais pobre – mas o cube mais rico – com as negociações de André Santos e Cristian.
Sinal fechado dos tempos. Não há como o Brasil competir com mercados de fora. Até porque insistimos em estar de costas e orelhas para eles, não adaptando nosso amalucado calendário ao deles.
Mas há como imaginar que o Vitória, também por isso, mantenha a ótima campanha por não perder jogadores para fora, por exemplo. O mesmo pode valer ainda para o Galo. Quem sabe o Barueri de Fernandinho. O próprio Goiás.
Hoje, melhor ter um bom time em campo. Não um "ótimo" que pode, por isso, ser depenado rapidamente pelo mercado.
HISTÓRIAS - Em 38 rodadas, difícil imaginar que o campeão brasileiro de 2009 dê a volta olímpica com o mesmo time que estreou na competição. Não apenas por eventuais suspensões e contusões; também por trocas técnicas (ou de técnicos) ou questões táticas; por gente que sai e por gente que entra nesse absurdo institucional brasileiro de continuar sem dar pelota ao calendário mundial.
O campeão nacional não será apenas um vencedor. Será um sobrevivente do desgaste da remontagem de equipes durante o campeonato. Quase sempre, equipes que perdem as peças durante a travessia, com comandantes que precisam trocar turbinas (quase sempre por motores a hélice) durante o vôo. Quando também eles não são trocados sem a menor cerimônia.
Por isso, preocupado torcedor, não se desespere tanto se o seu time negocia Nilmar, se perde Ramires, se não vai mais contar com André Santos. Não se atire pela janela depois da própria estar fechada, no fim de agosto.
Para o corintiano cabreiro com o “desmanche” alvinegro que pode impedir a ainda possível tríplice coroa idêntica o do Cruzeiro-03, o próprio exemplo mineiro. Veja a equipe-base que estreou naquele ano: Gomes; Luisão, Thiago e Edu Dracena; Maurinho, Augusto Recife, Martinez e Leandro; Alex; Deivid e Aristizábal. Jogava, e muito, num 3-4-1-2. Ao final, jogadores negociados, outros contratados, ganhou tudo com Gomes; Maurinho, Cris, Edu Dracena e Leandro; Maldonado; Augusto Recife e Wendel; Alex; Aristizábal e Márcio Nobre. O usual 4-3-1-2 de Luxemburgo. Outro esquema, cinco caras novas no time.
Pegue o time que mais mudou: Júlio Sérgio; Paulo César, Alex, André Luís e Léo; Claiton e Renato; Elano, Diego e Robinho; Leandro Machado. O 4-2-3-1 de Leão que estreou pelo Santos, em 2004. Campeão brasileiro na última rodada com Mauro; Paulo César, Leonardo, Ávalos e Léo; Fabinho; Preto Casagrande e Ricardinho; Elano; Robinho e Deivid. Campeão com Luxemburgo, num 4-3-1-2. Sete titulares e um treinador diferentes da estreia.
O “desmanche” não é o fim. Pode até ser um começo.