Coluna de Futebol do Mauro Beting - Yahoo! Esportes

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Muda tudo
Seg, 03 Ago, 12h55
Por Mauro Beting
Mauro Beting

Há um ano, o Palmeiras de Luxemburgo, também pela ausência do machucado Pierre, tinha como titulares Élder Granja, Jéci, Gladstone, Leandro, Sandro Silva, Jumar, Valdivia, Alex Mineiro e Kléber. Apenas Marcos e Diego Souza seguem no time. Que já não é mais de Luxemburgo como era, já foi (e muito bem) de Jorginho, e segue na ponta com Muricy Ramalho.

O futebol é dinâmico. Mas é para tanto? Poucas equipes no Brasil mudaram tanto em um ano. E, por ora, para melhor. O que não significa dizer que seja o exemplo a ser seguido. Até porque o Palmeiras poderia ter sido campeão de 2008 com um time muito próximo a esse. Mas não foi. Também por isso foi bastante mexido. E, pelo visto, continuará sendo modificado. Por ideia e obra do próprio Muricy.

Um dos tantos méritos do treinador tricampeão brasileiro, líder do BR-09 pelo Palmeiras, era mudar o São Paulo de acordo com o rival, sem mudar o desempenho. Por vezes, até mesmo com os 11 escalados desde o início, durante o jogo, ele mudava números táticos sem tocar nos nomes das camisas. Algo que Muricy só irá conseguir no novo clube com o tempo que não tem – e nenhum treinador terá com duas rodadas por semana.

O ótimo para o palmeirense é que o time vive bons dias e jogos, está iluminado e inspirado, e, até o ponto final destas linhas, não perdeu nada além de Keirrison - que já estava perdido e se perdendo. Já tinha uma boa base bolada por Luxemburgo, muito bem burilada por Jorginho, e deixada com boas perspectivas para Muricy. Time que estava se dando bem no 4-2-2-2 básico do interino, foi muito bem no dérbi no 4-3-1-2, foi melhor que o Sport no 3-4-1-2, e pode atuar mais vezes no Palestra num 4-2-3-1. Explica o treinador:

- Em casa, como foi contra o Fluminense, não dá para jogar com três volantes. Tem de recuar um pouco o Diego Souza. Com ele preso na frente não acontece muita coisa. Também quero dar mais velocidade e profundidade na frente. Posso usar o Willians e o Marquinhos como eles jogavam no Vitória [em 2008, com Vágner Mancini, abertos pelas meias]”.

Mudanças que Muricy fará com imenso cuidado. Por motivos óbvios: “Cheguei agora, não posso mudar tudo. Até porque o time está jogando direitinho, a base que estava aí vinha muito bem”. Mas já existem mudanças significativas: Pierre sai bastante e se aproxima à turma de frente; Cleiton Xavier ganhou amais liberdade para articular com Diego Souza, que não fica tão de costas à meta rival. Detalhes que ajudaram a vencer o Sport, e auxiliar um Palmeiras provavelmente melhor até o fim do BR-09 – se a janela não for aberta com a primeira lufada de dólares. Algo que clube e Traffic até podem segurar em busca do penta. Algo que nem sempre os atletas estão propensos a dizer “não”. Ou “no”. Ou outras tantas línguas para nossos atletas aprenderem a falar. E o torcedor aprender a lamentar.

GALO – A vitória sobre o Coritiba foi justa em uma das melhores partidas do BR-09. Era para ter sido mais que os 3 a 2. Mas ainda pode ser mais se Júnior agüentar mais de 45 minutos, se Evandro acertar o pé nos 90 minutos, e se Renan Oliveira puder atuar mais de 30 minutos.

GOIÁS – 0 melhor visitante do BR-09 joga fora de casa fechado num 3-4-2-1, mas com velocidade e boa chegada dos experientes homens de frente. Mesmo desfalcado de gente importante, faz excelente campanha. E merecia mais que os 2 a 1,por conta do irregular gol do Santo André.

SÃO PAULO – Não sei o campeão, se o bi, se o tri voltou. Mas a bola de Hernanes, Dagoberto, Richarlyson e Jorge Wágner está mais cheia. A recuperação técnica evidentemente passa pelo trabalho do treinador Ricardo Gomes. Mas é coisa de cada um dos muitos que fazem um time de futebol.

FLAMENGO – Andrade é a melhor e mais viável aposta na Gávea. Merece a confiança e o apoio das arquibancadas que precisam ter um pouco mais de paciência até com quem não merece. Ninguém aqui quer dar lição de torcida –sobretudo a maior do Brasil. Mas não é inteligente cobrar tanto de um atleta com a bola rolando. Vaie antes, vaie depois. Não durante. Nem xingue tanto como desabafou Leo Moura.

FLUMINENSE – Tudo que cresce o Botafogo, o Flu não consegue sair do atoleiro. Renato Gaúcho até arrumou um jeito de dar um pouco mais de consistência à equipe. Mas ainda faltam tantos pontos para tão pouco elenco...


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