O futebol tem lógica. Quando gente boa como Hernanes, Dagoberto, Richarlyson e Jorge Wágner volta a jogar o que sabe, o elenco corre como pode, o time marca como sabe, e veste uma camisa poderosa como a do São Paulo, a velocidade, a qualidade, a intensidade, o espírito, a dinâmica, e os resultados voltam. Pode até não ter voltado o campeão do Brasil de 2009. Mas, certamente, parte do repertório do tricampeão nacional de 2006 a 2008 está em campo. Até porque, o campeão NÃO voltou. Ele é campeão brasileiro até a última rodada deste ano. E, se não prestarem atenção, pode seguir campeão brasileiro até a última rodada do BR-10. Para atenção redobrada do líder Palmeiras (outro que tem feito ótimo papel), do Atlético Mineiro (que faz campanha acima da expectativa), do Internacional (que precisa voltar a jogar bola), e de mais alguns que podem crescer e disputar este que promete ser o mais equilibrado Brasileirão por pontos corridos.
Também porque existem clubes como o Goiás. Como o Barueri. Como o Avaí. Equipes que se aproveitam do nivelamento rasteiro – ou abaixo da linha do campo – para se mostrarem mais fortes do que são. Ou menos fracos do que se imaginava. Com o elenco de 2008 mantido, não se esperava facilidade para o time avaiano se manter entre os melhores. O início de competição mostrava a dificuldade aguardada. Foram sete rodadas na turma do funil, no G menos 4, até a recuperação a partir da manutenção de um comando sereno, seguro, conhecedor do grupo e do futebol. Paulo Silas ajustou o sistema defensivo, encontrou em Muriqui a velocidade necessária para dar liga e gols e, com pouco, tem feito muito. Também por entender que, no futebol do Brasil destes tempos bicudos de janelas abertas, não é preciso ter craque para se fazer direitinho. Melhor fazer um time, um elenco, que um punhado que se perde a cada derrota, que perde treinador a cada sequência ruim.
O mérito do Avaí foi ter mantido a base e, sobretudo, a filosofia e a comissão técnica vencedora desde 15 de março de 2008. Só Mano Menezes e Adilson Batista estão há mais tempo no comando de algum clube da Série A. E estamos falando do campeão da Copa do Brasil e do vice-campeão da Libertadores.
O modelo do Goiás é outro, até pela experiência do clube desde 1999 na primeira divisão. Hélio dos Anjos conhece do jogo, conhece muito do Goiás, e tem um elenco melhor, maior, mais equilibrado, e, não por acaso no G-4. Com Fernandão, ganha muito mais peso e qualidade. Porém, muda de figura e de jeito. Pode não ter mais a velocidade letal no contragolpe. E ainda assim pode continuar com o sonho mais que real da Libertadores.
Claro que é real o desejo. Como também é o pesadelo de clubes enormes que podem cair por terem times ruins. Não estão imunes só porque vestem camisas poderosas. Só eles acham que não “caem” quando estão mal das bolas e na tabela. Não preciso citá-los, até pelo respeito que merecem como clubes – não pelos times que caíram para a segunda dos infernos.
O Barueri segue na linha com Fernandinho (a melhor revelação, para não dizer o melhor do BR-09), suplantou a ausência de Pedrão com o inefável Val Baiano, tem um time bem estruturado (assim como o clube, com o apoio da prefeitura municipal), e só não é mais surpreendente porque surpresa, no futebol, é não haver surpresa.