Chutar o quê de um campeonato que começa o returno sem a definição do campeão do turno? Pelos compromissos esportivo-financeiros, o Internacional só fecha o turno láááááá na frente, em 2 de setembro. Por ora, não há como o Palmeiras celebrar o título da primeira parte do BR-09. Nem lamentar os três empates seguidos que o impediram de depender apenas dele para faturar o título que não define nada. Mas pode ser tudo, como só não foi em 2008. Ano em que o campeão do turno Grêmio não conseguiu faturar o campeonato, vencido com impressionante arrancada do São Paulo. Nos demais anos de Brasileirão por pontos corridos, ganhou o turno, venceu o Brasileirão.
Como ainda nada está definido nem no turno, só nos resta botar na balança quem se superou, quem decepcionou, ou quem foi bege na balança da primeira parte do BR-09. Pela atual ordem de pontuação ao final da 19ª. rodada – e sem levar em conta a possibilidade de o Atlético Mineiro terminar o turno à frente do São Paulo, que é real. Mas, por ora, apenas no aproveitamento de pontos.
PALMEIRAS – Teve três treinadores, tem um dos melhores times, mas não necessariamente dos melhores elencos. Quatorze rodadas no G-4, as últimas quatro na ponta, briga pelo título desde o início. Faz o que se esperava, sem surpresas. E com potencial de crescimento. Deve brigar pelo título até o fim.
GOIÁS – Um dos melhores ataques (contragolpes) do Brasil (só tem um gol a menos que o Barueri), promete mais e diferentes coisas com Fernandão. Boa base, experiente, bem comandada por Hélio dos Anjos. Só cinco rodadas entre os bambas. Mas deve ficar mais. Das melhores surpresas da competição.
INTERNACIONAL – Era 100% com os reservas, baqueou com a queda na Copa do Brasil, perdeu Nilmar, mas ainda tem dos melhores elencos do Brasil. Ficou cinco rodadas na ponta. Pode ficar outras tantas – ou mais – no returno. Segue na luta pelo título. Já foi o meu principal favorito. Não é mais. mas ainda é forte. Muito forte.
SÃO PAULO – Quatro equipes já estiveram na turma do funil e na ponta. Nenhuma tão forte como o Tricolor, que pode até, matematicamente, nem ter estado entre os quatro primeiros no turno – se o Galo não perder para o Colorado o jogo que falta. Mas quem pode dizer que o São Paulo vai deixar de brigar por mais um título? Vem muuuuuito forte, tem apresentado o melhor futebol das últimas rodadas, e com o melhor elenco. Não é surpresa em se tratando do tricampeão nacional. Mas pelo que não vinha jogando, a campanha impressiona. Além de assustar os 19 rivais.
ATLÉTICO MINEIRO – Sete rodadas na ponta, 15 entre os bambas. Não é pouco. Mas parece muito para as fragilidades do elenco. E é demais para um início tão pouco promissor, depois de um fim catastrófico de MG-09, e de doída e doida eliminação na Copa do Brasil. É ótima surpresa. Por não ser grupo para cair. Nem para ir tão bem por tanto tempo.
AVAÍ – A melhor surpresa do BR-09. Passou sete rodadas no G menos 4. Três como lanterna. E, agora, só sabe vencer, com futebol consistente, boa ordenação em campo, e um clube estruturado. Que fez muito bem ao manter o terceiro técnico há mais tempo comandando um clube da Série A. Gratíssima surpresa. Até por jogar contra a corrente e manter o treinador que todos demitiam. Ou demitiriam.
GRÊMIO – Ainda não esteve na tropa de elite da Libertadores que tão bem conhece. Ainda não purgou na turma do funil dos infernos da Segundona. Está sempre rondando o G-4. Por ele vai brigar. Autuori mudou a estrutura tática da equipe. Acertou mais que errou. Mas a péssima campanha fora vai empacando um time com potencial de crescimento. Não chega a ser uma decepção. Mas dava para esperar algo mais no turno. Como espero pro returno.
CORINTHIANS – Chegou ao G-4 na 13ª. rodada. Saiu na rodada posterior. Brilhante campeão da Copa do Brasil, jogava o futebol mais consistente do país até negociar três titulares e perder Ronaldo por contusão. Bumba. Perdeu-se. Até se reencontrar, demora. Mas é o único que pode jogar do jeito que quiser o BR-09. Já está na Libertadores no ano do centenário. Está ótimo. Mas, certamente, poderia estar melhor. Tinha pinta de brigar pelo título. Agora, de lutar por posições um pouco superiores ao oitavo lugar.
BARUERI – Fecha o turno como melhor ataque do torneio. Mesmo perdendo Pedrão. Mesmo recuperando Val Baiano. Também por escalar a revelação (o craque?) do BR-09, o ponta-esquerda Fernandinho. Perdendo Estevam Soares para o Botafogo, pode passar maus bocados. Mas é outro que foi muito além da expectativa.
FLAMENGO – Décimo lugar é pouco para as pretensões pentacampeãs. Com Adriano como artilheiro, menos ainda. Mas as saídas de Fábio Luciano, Ibson e, agora, a contusão de Kléberson atrapalham tanto quanto um clube de administração caótica e pressões impressionantes. O esquema segue sendo o mesmo da campanha tri estadual. Mas o desempenho é muito errático. Entre tantas irregularidades, a do Flamengo é campeã. O que vai impedindo o sonho que parecia possível do hexa.
VITÓRIA – Doze rodadas no G-4. Um esquema ousado, um time abusado. Mas que começou a definhar e não para mais. Tem sido a sina baiana neste século. Ótimos começos, quedas livres. Mas o time atual é para essa posição intermediária. Nem para brigar pela Libertadores, nem para ficar de fora da Sul-Americana. Não decepciona a queda. Surpresa foi ter ganho tanto e tão bem no início.
SANTOS – Se vencer o jogo que falta, pode chegar ao 10º. lugar. Posição real para elenco ainda tão debilitado defensivamente. Mesmo com tantos gols perdidos, tem um meio-campo dos mais criativos e interessantes. Com tempo e paciência, pode crescer.
ATLÉTICO PARANAENSE – Foram 12 rodadas entre os quatro piores. Veio Lopes e a experiência do treinador botou o time nos eixos. A boa base sub-20 ajudou, Paulo Baier acerta o pé, e o Furacão vai saindo do atoleiro. Não é time para cair. Nem para ir muito longe na tabela.
CRUZEIRO – Outro que pode subir com o jogo que falta. Outro que vai crescer na tabela. Mas o BR-09 era campeonato para ser usado para se preparar para o Mundial. A doída derrota na Libertadores causou tantos estragos quanto as vendas já sabidas da janela sempre mais aberta na Toca da Raposa. Decepcionou contra o Estudiantes, e vai decepcionando no turno do BR-09. Mas, claro, vai subir no returno. Só não sei quanto.
BOTAFOGO – Pode melhorar ao final do turno com o jogo que falta. Deve melhorar no returno. Não tem elenco para cair. Nem para subir muito. Fez milagres com Cuca e Ney Franco nos últimos anos. A cota acabou. Mas não parece ser motivo para desespero. É time para brigar por vaga na Sul-Americana.
CORITIBA – Oito rodadas na zona de rebaixamento é muito. Mas é normal para time tão desfalcado e mexido. Tudo que o bom ataque faz, a má defesa entrega. O novo treinador sabe arrancar bola de pedra. Pode salvar o Coxa. Mas, ainda assim, será campanha muito pior que a encomenda.
SANTO ANDRÉ – Esteve no G-4 na segunda rodada. Tinha um bom plano de jogo e bom planejamento. Mas a política começou a entrar em campo, questões intestinas vazaram, o treinador foi demitido, e o time não se acerta mais. Tem todo um turno para se recuperar. Mas tem um clube não acostumado à divisão principal, tem um gramado muito ruim para atrapalhar em casa, e pode, como tantos, bater e voltar.
NÁUTICO – Não esperava um grande desempenho, apesar do bom ataque. Mais uma vez, como em 2008, um ótimo começo enganou. Ou levou para o Furacão um treinador que acabou não dando certo na Arena, e desandando o Timbu nos Aflitos. Esperava-se um ano para evitar a queda. É o que deveremos ter até o final do campeonato, sem garantia de mais uma salvação. Nem a promessa definitiva de que tudo já caiu.
FLUMINENSE – Os Ministérios da Saúde e do Esporte Advertem: Libertadores perdida nos pênaltis fazem mal a tudo e a todos. O Tricolor parece viver um eterno pesadelo de LDU. Nada deu certo desde então. Clube e patrocinador não se entendem, a zaga desanda, os craques (poucos) não jogam... Já acreditei em saída do funil. Agora, não sei mais. Imaginava um BR-09 pálido. Mas não desse jeito.
SPORT – Vale a advertência do Fluminense. Os pênaltis que Marcos catou na Libertadores iniciaram um processo terrível na Ilha. Nelsinho saiu mal, Leão mal entrou, Chamusca terá de fazer o muito que sabe para dar um jeito. A maior surpresa negativa do BR-09 ao final do turno. Do Fluminense, honestamente, não esperava muito – mas não tão pouco; mas, do Sport, ao menos a luta que nem isso se vê.