Dos 203 países filiados à Fifa, uma extensa relação que começa com o Brasil (atual líder do ranking mantido pela entidade) até Papua Nova Guiné (o lanterninha), e que supera a da ONU (com 192 membros), apenas dez já acompanham o calendário regressivo para a Copa do Mundo com a certeza de que estarão lá.
A 273 dias do pontapé inicial, o grupo dos torcedores felizes reúne África do Sul, Brasil, Espanha, Holanda, Inglaterra, Austrália, Japão, Coréia do Norte, Coréia do Sul e Gana.
Permanecem em aberto 22 vagas, duas das quais poderiam ser conquistadas ainda nesta quarta-feira por Chile e Paraguai – que, de qualquer forma, também já estão com um pé na África do Sul.
Nas eliminatórias européias, a participação na Copa também é quase uma realidade para Dinamarca, Suíça, Eslováquia, Sérvia e Itália. Na África, a Costa do Marfim está em situação parecida.
Se a conta dos classificados for ampliada para esse grupo de “quase-lá”, teríamos 18 garantidos, com apenas 14 vagas restantes.
Entre as seleções que todos esperavam encontrar na África do Sul, mas que ainda precisam suar mais um pouco para obter as vagas remanescentes, destacam-se Argentina, Alemanha (que disputará partida decisiva contra a Rússia, em Moscou, em 10 de outubro), França (que, muito provavelmente, precisará encarar a repescagem) e Portugal (ainda com esperanças de chegar à repescagem, mas respirando por aparelhos).
Se considerado apenas o desempenho nas eliminatórias, o Brasil tem a companhia, entre os candidatos ao título, das três seleções européias que alcançaram a classificação com 100% de aproveitamento: Espanha, Inglaterra e Holanda.
Os holandeses encerraram hoje sua participação, batendo a Escócia por 1 x 0 diante de 51 mil pessoas no Hampden Park, em Glasgow. Além de fechar a campanha perfeita, tiraram dos donos da casa a chance de ficar em segundo lugar no grupo 9 e, com isso, disputar a repescagem.
Se o Reino Unido lamentou hoje a derrocada escocesa, por outro lado comemorou o triunfo inglês sobre a Croácia, 5 x 1, diante de um público de 87 mil pessoas no mesmo estádio de Wembley onde, em 21 de novembro de 2007, os croatas venceram por 3 x 2 e eliminaram os ingleses da Euro-2008.
Mais do que apenas exorcizar esse fantasma, a tranqüila classificação da Inglaterra – que tem ainda dois jogos a cumprir, contra Ucrânia, fora, e contra Belarus, em casa – aumenta entre seus torcedores a esperança de que o italiano Fabio Capello possa dar à equipe as doses de pragmatismo tático necessárias para ir além das campanhas frustrantes nas últimas duas Copas, quando se esperava que chegasse ao menos às semifinais.
Alcançar as semifinais na África do Sul, por sinal, é o mínimo a esperar da Espanha, que também precisa vencer mais duas partidas – contra Armênia e Bósnia, ambas fora de casa – para encerrar a campanha nas eliminatórias com 100% de aproveitamento.
Se Copa do Mundo fosse baseada apenas no retrospecto durante os anos anteriores à competição, traduzido pelo ranking da Fifa, a final de 2010 teria Brasil e Espanha.
Mas, desde que o ranking existe, essa lógica é desrespeitada e a final reúne outra dupla.
Em junho de 1994, Alemanha e Holanda estavam em primeiro e segundo, mas a final da Copa dos EUA foi disputada por Brasil (3º.) e Itália (4º.).
Quatro anos depois, Brasil e Alemanha lideravam o ranking da Fifa, mas quem beliscou o título foi a França (que ocupava a 18º. posição).
Em junho de 2002, a França estava em primeiro lugar, seguida pelo Brasil, mas quem perdeu a final foi a Alemanha (que começou a Copa na 11ª. posição).
Quatro anos depois, as duas primeiras posições eram ocupadas por Brasil e República Tcheca, mas a final foi disputada entre França (8ª.) e Itália (13ª.).