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Yahoo! Esportes - Liga 2009/2010 mal começou e Barcelona contrata para a de 2019
Liga 2009/2010 mal começou e Barcelona contrata para a de 2019
Qua, 16 Set, 07h49
Por Sérgio Rizzo
Sérgio Rizzo

É improvável que Messi e Piqué, ambos com 22 anos e destaques no elenco do Barcelona no empate de hoje com a Internazionale, pela primeira rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, ainda estejam no clube na disputa da competição em 2019.

Mais provável, ao menos de acordo com o planejamento do atual campeão europeu, é que entre em campo para defendê-lo daqui a uma década o francês Kaïs, hoje com sete anos. Isso mesmo, sete anos.

De acordo com o jornal “Tribune de Lyon”, o menino – que foi revelado pelo FC Gerland e joga nas categorias de base do Olympique Lyonnais – se mudará no final da temporada para a Catalunha, recrutado pelos olheiros do Barcelona para se integrar ao seu centro de formação de jogadores.

“Os dirigentes do Lyon disseram que, em 30 anos, viram passar pelo clube apenas dois fenômenos com essa dose de talento: Benzema e o meu filho”, afirmou o pai de Kaïs ao “Tribune”.

A notícia da precoce “contratação” circulou poucos dias depois da rigorosa punição ao Chelsea, proibido pela Uefa de fazer contratações até 2011 pelo aliciamento, em 2007, do também francês Gaël Kakuta, hoje com 16 anos, do Lens. E da denúncia, pelo Le Havre, de que o Manchester United assediou um de seus jogadores das divisões de base, Paul Progba, também de 16 anos.

Ao comentar esses episódios, o jornal francês “Le Monde” citou o treinador Arsène Wenger, do Arsenal, como um defensor de contratações infanto-juvenis. “Se você tem um garoto que é bom musicista, qual é o seu reflexo? Matriculá-lo em uma boa escola de música, e não em uma escola mais ou menos. Por que seria diferente no futebol?”, observou.

Para Wenger, “se um jogador vai para o Chelsea, o Arsenal ou o Manchester, receberá uma boa educação”. Segundo ele, uma eventual proibição de transferências antes dos 18 anos não seria benéfica para os jovens talentos, “que seriam recrutados por agentes aos 13 ou 14 anos, e não iriam para grandes clubes, onde teriam uma boa educação”.

De acordo com o seu raciocínio, no entanto, os clubes fortes ficariam cada vez mais fortes, e os centros de formação dos clubes médios e pequenos estariam fadados a se tornar apenas vitrine para os olheiros dos principais times europeus.

Essa discussão lembra que o debate sobre a evasão de jovens talentos não é exclusividade brasileira, como muitos sugerem, e que o poderio econômico dos gigantes europeus tende a gerar, nos próximos anos, um cenário de concentração de renda ainda maior do que o atual.

Sintomaticamente, o título da Liga dos Campeões parece, mais uma vez, estar ao alcance de um grupo restrito -- clubes ingleses, Barcelona, Real Madrid e Internazionale. O desequilíbrio não faz bem ao esporte, e talvez não faça também aos negócios do esporte.


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