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Yahoo! Esportes - Na fila europeia desde 1965, Inter ainda não embalou
Na fila europeia desde 1965, Inter ainda não embalou
Qua, 30 Set, 08h00
Por Sérgio Rizzo
Sérgio Rizzo

A temporada europeia teve início há poucas semanas, mas quase todos os gigantes europeus já esboçam o futebol que deles se esperava nesse período. Barcelona e Real Madrid confirmaram que, além de disputar o título espanhol, são duas das principais forças (talvez sejam mesmo as maiores) na Liga dos Campeões – que, não custa lembrar, terá a final realizada no Santiago Bernabéu, templo do Real, em 22 de maio.

Três dos quatro grandes ingleses (Manchester United, Chelsea e Arsenal) mantêm bom desempenho tanto na Premier League quanto na Liga dos Campeões, em que o Liverpool ainda patina, com três pontos em dois jogos, mas plenas condições de lutar pela liderança do grupo E, ocupada no momento pelo Lyon.

Da lista de supertimes, faltou qual? A Internazionale, treinada por um dos “professores” mais bem pagos do mundo, o português José Mario dos Santos Felix Mourinho, 46 anos. Ao desembarcar em Milão, no início da última temporada, sua missão estava bem clara: conquistar o título europeu, que havia ajudado o Porto a levantar, em 2004, mas não o Chelsea, com o qual foi às semifinais em 2005 e 2007 para ser derrotado, em ambas as ocasiões, pelo Liverpool do espanhol Rafa Benítez.

De acordo com informações de bastidores que circularam pela imprensa italiana na temporada passada, o próprio Mourinho teria dito ao elenco que não via nenhuma vantagem no tricampeonato local (depois transformado com sua ajuda em tetra, elevando a 17 o total de títulos nacionais), dada a fragilidade dos adversários. A meta era retomar a supremacia europeia, longe da Inter desde 1965, quando obteve o a segunda Copa dos Campeões consecutiva.

Desde então, no domínio continental, vieram apenas três títulos da extinta Copa Uefa, em 1991, 1994 e 1998 (com Ronaldo na equipe). Pouco, sobretudo para quem viu o arquirrival Milan festejar, nos últimos 20 anos, cinco títulos europeus, em 1989 e 1990, ainda nos tempos de Copa dos Campeões, e em 1994, 2003 e 2007, já na era da Liga dos Campeões.

Em sua primeira tentativa de obter o título europeu pela Inter, Mourinho naufragou cedo, nas oitavas-de-final, batido pelo Manchester United do escocês Alex Ferguson. Desta vez, com o banco já esquentado, o que tem em mãos? O time titular poderia ser escalado assim: Julio César; Maicon, Lucio, Samuel e Chivu; Vieira, Stankovic, Sneijder e Thiago Motta; Eto’o e Milito. Para a reserva: Toldo, Zanetti, Córdoba, Materazzi, Santon, Cambiasso, Mancini, Quaresma, Muntari, Balotelli e Suazo.

No papel, é uma base capaz de alcançar desempenho muito superior ao mostrado no início de temporada, em que se destacou apenas a vitória sobre o Milan, pelo campeonato italiano, por implacáveis 4 x 0. Ocorre que o Milan, viu-se logo, não é sombra do que foi há dois ou três anos, quando Kaká o liderava. Está em oitavo lugar no nacional, com oito pontos em seis jogos, e foi derrotado nesta quarta-feira pelo Zürich, em casa, na segunda rodada da Liga dos Campeões, ameaçando complicar uma classificação que parecia tranquila.

Portanto, descontada a exibição talvez ilusória contra os arquirrivais, a Inter está em terceiro lugar no italiano (atrás de Sampdoria e Juventus) e apenas empatou duas vezes pela Liga dos Campeões (a primeira contra o Barcelona, é bem verdade, mas a segunda contra o Rubin Kazan), em incômodo terceiro lugar no grupo F (que tem o Barça em primeiro, seguido pelo Dínamo de Kiev).

Em sua passagem pela Inglaterra, Mourinho deixou muitos inimigos – incluindo gente que dizia torcer contra o Chelsea apenas para vê-lo engolir o que, segundo alguns, era uma arrogância desmedida. A mudança para a Itália significou também a oportunidade de demonstrar a seus críticos britânicos que o futebol do país perdia mais com sua ausência do que apenas polêmicas travadas com os colegas pelos jornais.

Para sacramentar a volta por cima, no entanto, Mourinho precisa do título europeu. A distância até a final de maio é longa, mas longo também é o caminho a percorrer pela Inter para mostrar que pode chegar lá.


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