É capaz de, na última rodada, o campeão brasileiro somar 70 pontos e sair vaiado de campo. Mas, claro, com o título. Com o penta. Com o hepta. Com o bi. Com o hexa. Com o tetra. Não deve fugir disso. Hoje, se fosse apostar um real furado, ficaria com Palmeiras, São Paulo, Flamengo e Atlético Mineiro. Só não me pergunte a ordem. E, por favor, se ainda der Internacional, meu favorito em abril, normal. Se ainda der para o Cruzeiro, líder do returno, idem. Se o Goiás conseguir se recuperar, por que não?
Alguém precisa ser campeão brasileiro. Mas, do jeito que não estão as equipes, a CBF pode declarar o Brasileirão de 2009 sem campeão. Título vago. E ninguém poderá reclamar – ainda mais. Não é um campeonato de pontos corridos. É de pontos andados. O vencedor, pelo não visto, não será o time que mais pontos fizer. Será o campeão por pontos perdidos. E bota “perdidos” nisso.
Hoje, nenhum torcedor está satisfeito. Nenhum. O palmeirense, exigente além da medula, está plenamente insatisfeito com o time e com Muricy. E, mesmo assim, ainda são quatro pontos que o separam do novo vice-líder – o Galo. Ainda é o time que, matematicamente, tem mais chances. Tem uma tabela complexa. Mas não impossível. Só que a equipe empacou. Completa ou não, caiu demais de produção. Não apenas como time. Sobretudo individualmente. O que é um problema ainda maior.
A felicidade palmeirense é que outros têm sido tão ou mais infelizes. O novo vice-líder já passou por quase tudo na temporada. Mas tem potencial para se manter na luta até o fim. Ricardinho enfim ganhou o lugar merecido entre os titulares de Celso Roth. Com Correa, ajuda a fechar a defesa e a coordenar o Galo que pode sonhar com o bi do mesmo modo como os palmeirenses fazem contas pelo penta.
O São Paulo caiu mais uma vez do jeito que derrubava os rivais. Demérito dele, mérito dos adversários que melhoraram. Não nos níveis desejáveis, mas, ao menos, em termos de emoção, não há o que reclamar da competição. Muito menos do próprio Tricolor. Ninguém foi tetra nacional. Só ele foi tri. Está ótimo. E pode ficar melhor em 2010 se uma necessária reformulação acontecer.
O Internacional não se emenda. E pode cair fora não só da disputa do título. Também da Libertadores. Por muitos erros internos. E, claro, pelos mesmos motivos que deixam o torneio ainda aberto. Nenhum time do G-4 tem sido confiável. O Goiás, cada vez mais distante dele, menos ainda. Mas é dever falar dos melhores do returno. Times que ainda podem sonhar com Libertadores. No mínimo...
CRUZEIRO – Adilson “Maradona” extrapolou na celebração do gol da vitória sobre o quase recuperado Botafogo. Mas não é fácil conquistar tudo que ele conseguiu na Toca da Raposa e ainda ser criticado a cada substituição. Ainda que muitas delas sejam realmente discutíveis, o saldo é mais que positivo. Não tivesse a Libertadores no meio do turno, dava para sonhar com algo além no BR-09.
FLAMENGO - “Leo Moura e Juan só podem jogar como alas”. Pensavam eles. Seus treinadores. Ótima parte da imprensa. Quase toda uma nação. Imaginavam os rivais. E não é que Andrade está mostrando que eles podem ser laterais, isto é, primeiro marcando e, depois, se possível, atacando, num organizado e ajustado 4-2-3-1?
E não apenas eles vão surpreendendo com a camisa rubro-negra. Outros tantos vão se superando. Ou confirmando o que se esperava. Maldonado, por exemplo, é o mesmo que tranca a zaga de qualquer time. Adriano é o artilheiro que faz o que quer dentro e fora da área, dentro e fora de campo. Mas poderia se imaginar que Toró pudesse substituir Kleberson tão bem? Que Willianas poderia ser volante e/ou meia com tamanha eficiência nas duas funções? Que Zé Roberto poderia ser recuperado tão rapidamente? Que Petkovic pode tudo?
Pet é o bicho. De estimação rubro-negro. Consegue calar minha boca a abrir o sorriso na maioria da torcida brasileira. E fazer todas as demais se preocuparem com o crescimento técnico, tático, físico, futebolístimo e, sobretudo, na tabela, de uma camisa que, pendurada no varal, já assusta. Jogando o que tem jogado, e o que os rivais não têm apresentado, por que não imaginar o hexa? Porque a Libertadores é possível. Se o Flamengo não trocar a bola redondinha e as chuteiras bem postadas por reluzentes saltos alto, o hexa não é delírio. É doce realidade. Até porque não é só a força imperial da camisa, da torcida, do clube e de alguns talentos incontestáveis – até pela mais que discutível qualidade do futebol que se joga no Brasil. É uma equipe ajustada, com mais variações táticas que qualquer outra no país, e errando bem menos que os demais. Ou, no mínimo, oscilando menos. E na hora do vamos ver.
Mais ou menos o que aconteceu no penta, em 1992. Até a antepenúltima rodada, o favorito era o São Paulo. Na penúltima, o Botafogo. Na última, a volta olímpica. Como a Cidade Maravilhosa.