Voltamos à nossa “programação normal”, com histórias de dentro do campo, posição por posição, referentes, agora, aos volantes. E os que rendem as melhores são aqueles encarregados especialmente de destruir as jogadas, como Pintado, Gilmar Fubá e Márcio.
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Luís Carlos de Oliveira Preto, o Pintado, destacou-se no Bragantino campeão paulista em 1990 e vice brasileiro em 1991. E era o carregador de piano do São Paulo bicampeão mundial em 1992 e 1993.
Dizem que logo em seus primeiros treinos no Tricolor o técnico Telê Santana, percebendo a pouca intimidade de Pintado com o jogo individual, propôs um trato: “Toda vez que você receber a bola, levante a cabeça e passe para o companheiro que estiver a seu lado”.
Pintado tratou de cumprir a instrução de Telê à risca. E foi jogando esse futebol, extremamente simples e eficiente, que chegou a ser campeão mundial interclubes.
Na hora da volta olímpica do São Paulo em Tóquio, em 1992, Pintado era um dos mais felizes. Mas ainda teve que ouvir a gozação vinda de um repórter que corria ao seu lado: “Quem diria, hem, Pintado? Você, campeão do mundo...” Atualmente, Pintado é técnico de futebol.
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Gilmar de Lima Nascimento, o “Gilmar Fubá”, era um volantão de 1,78 metro de altura por outro tanto de largura. Ganhou o apelido depois de espalhar que a mãe engrossava sua mamadeira com fubá, para que crescesse “fortinho” daquele jeito. Jogou principalmente no Corinthians, mas também no Fluminense.
Em uma tarde de Corinthians x Palmeiras, sob o sol escaldante de Presidente Prudente, Gilmar resolveu que não ia dar folga ao craque palmeirense Djalminha. Onde Djalminha ia, Gilmar ia atrás, fungando no cangote do atacante.
A certa altura do jogo, já cansado de tentar fugir daquela marcação cerrada, Djalminha resolveu ser direto:
— Você hoje não vai mesmo largar do meu pé, não é?
— Não, não vou — Gilmar respondeu. — Essa é a minha função.
— Então — propôs Djalminha — Que tal a gente ir jogar lá daquele outro lado do campo? Pelo menos, lá tem sombra...
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Antes de virar técnico de futebol, Henrymárcio Bittencourt, o Márcio, foi volante. Começou nas categorias de base do Corinthians, onde se profissionalizou em 1985, e jogou também no Internacional.
Como o folclórcio Amaral (também volante), do Palmeiras, Márcio passou boa parte da carreira — e todo o tempo em que atuou no Corinthians, até 1992 — sem marcar um único gol, nem mesmo como júnior. Curiosamente, somente viria a marcar pela primeira vez aos 27 anos, justamente contra o Corinthians, na goleada do Inter (para o qual ele jogava emprestado) por 4 a 0, no Pacaembu, pela Copa do Brasil de 1992.
A todos os que questionavam sobre a escassez de gols, Márcio trazia sempre uma resposta pronta: “É, mas pelo menos já chutei uma bola na trave do Schumacher...”
Ele se referia ao goleiro da Alemanha nas Copas de 82 e 86, que enfrentou no jogo Corinthians 1 x 0 Colônia, da Alemanha, pelo Torneio Internacional de Verão, disputado em 23 de janeiro de 1987. Naquele dia, o gol, claro, não foi de Márcio, mas, sim, do zagueiro Jatobá.
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