O presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2010, Danny Jordaan, admitiu hoje que os gastos para organizar o evento serão maiores do que o previsto inicialmente. A conta, que será integralmente paga pelo governo da África do Sul, já passou de 8,2 bilhões de rands (cerca de R$ 1,8 bilhão) para 9,8 bilhões de rands (pouco mais de R$ 2 bilhões).Mas Jordaan garante que o aumento não tem nada a ver com corrupção. "Muitas obras estão sendo feitas com fornecedores estrangeiros e há variações de preço e de câmbio que não podemos prever", justificou o dirigente sul-africano. "Na semana que vem, por exemplo, vamos ao Iraque, para acompanhar a fabricação da cobertura do estádio de Porth Elizabeth (uma das sedes da Copa de 2010)."
As declarações de Jordaan foram dadas neste domingo, durante entrevista coletiva no Indaba, principal feira de turismo da África do Sul, realizada em Durban. O Comitê Organizador da Copa de 2010 aproveitou o evento para exibir um vídeo sobre os "mitos" que cercam a organização do primeiro Mundial de futebol a ser disputado no continente africano.
Um dos mitos diz que a Fifa tem um "plano B", caso a África do Sul não consiga organizar a Copa do Mundo. "Isso não existe. Os parceiros comerciais da Fifa nunca assinariam contratos conosco se existisse um plano B", reagiu Jordaan. "E os patrocinadores não estão pagando um centavo a menos porque a Copa vai ser aqui. Ao contrário."
Só quem deve pagar menos é o torcedor local. Jordaan garantiu que haverá uma cota de ingressos mais baratos, a ser vendida exclusivamente na África do Sul. De um total aproximado de 3 milhões de entradas para os jogos da Copa, cerca de 130 mil serão vendidas em rands, a moeda local. As demais, apenas em dólares.
A Copa do Mundo será realizada entre 11 de junho e 11 de julho de 2010. Serão 10 estádios, em nove cidades diferentes - haverá duas arenas em Johanesburgo. O governo sul-africano vai bancar a construção de cinco deles e a reforma dos outros cinco. "Mas aqui ninguém reclama", revelou Jordaan. "Porque as pessoas sabem que a Copa do Mundo é importante. E sabem que nós gastamos a maior parte do nosso dinheiro com saúde e educação."