Por Ben Blanchard
CHONGQING (Reuters) - O terremoto mais devastador das
últimas três décadas na China matou quase 9.000 pessoas na
segunda-feira na Província de Sichuan e destruiu quase 80 por
cento das edificações em um condado, segundo estimativas
preliminares.
O tremor de magnitude 7,8 derrubou pelo menos oito escolas
em pleno horário das aulas. Indústrias químicas e pelo menos um
hospital também foram destruídos, segundo a imprensa estatal.
As equipes de resgate ainda não conseguiram chegar ao
epicentro do tremor, Wenchuan, um condado com 112 mil
habitantes a cerca de cem quilômetros de Chengdu, capital de
Sichuan, segundo a agência estatal de notícias Xinhua. O número
de mortos ainda deve crescer significativamente.
Mais de 7.000 mortos estavam no Condado Autônomo de
Beichuan Qiang, que pertence a Sichuan. Ali, a imprensa estatal
estima que 80 por cento das edificações foram destruídas.
"Estamos fazendo o que podemos, mas as estradas estão
cobertas por pedras e rochedos", disse Li Chongxi,
vice-presidente do Partido Comunista local.
A maior parte dos telefones de Wenchuan estão desligados.
Um site de uma instância administrativa regional disse que o
terremoto interrompeu várias estradas e afetou gravemente as
telecomunicações em 11 condados.
Beichuan, que é parte da cidade de Mianyang, a cerca de 160
quilômetros de Chengdu, tem cerca de 161 mil habitantes, o que
significa que aproximadamente 10 por cento foram feridos ou
mortos.
Cerca de 900 adolescentes foram soterrados numa escola de
três andares em Dujiangyan, que também fica na província de
Sichuan. A população ainda conseguiu ajudar dezenas de alunos a
saírem, e guindastes estão escavando o local sob o olhar
preocupado dos pais, disse a Xinhua, que descreveu cenas de
choro e sofrimento entre os soterrados. Na mesma cidade, há
também centenas de soterrados sob os escombros de um hospital.
SENTIDO NA TAILÂNDIA
Na cidade de Shifang, 6.000 pessoas tiveram de ser
retiradas de suas casas devido ao vazamento de cerca de 80
toneladas de amônia em uma fábrica.
Soldados e bombeiros estão levando cães farejadores,
equipamentos para a detecção de pessoas vivas e explosivos para
abrir caminho nas estradas, segundo a TV estatal.
Deslizamentos interromperam também três importantes
ferrovias que dão acesso a Chengdu, retendo 31 trens de
passageiros e 149 cargueiros, mas sem fazer vítimas, de acordo
com a Xinhua.
A Administração Nacional do Turismo determinou a suspensão
das viagens na área.
A planície de Sichuan é uma das áreas mais férteis da
China, mas depende de um sistema de irrigação ligado a obras de
drenagem feitas há 2.000 anos em Dujiangyan. Por conta disso, o
terremoto pode agravar a inflação na China, que já atinge a
maior taxa nos últimos 12 anos.
Sentido até na Tailândia, este foi o pior terremoto na
China desde o de Tangshan (nordeste), que fez até 300 mil
mortos em 1976.
O Serviço Geológico dos EUA disse em seu site
(http://earthquake.usgs.gov) que o tremor principal ocorreu às
3h28 (hora de Brasília), a uma profundidade de dez
quilômetros.
Na noite de segunda-feira, milhares de pessoas vagavam pela
praça principal de Chengdu, onde houve pelo menos 45 mortos e
600 feridos, segundo a TV.
Em Pequim e Xangai, o terremoto fez com que funcionários
fugissem de seus escritórios, mas não foram relatados danos. As
instalações que receberão as competições dos Jogos Olímpicos na
capital chinesa, em agosto, não foram afetadas.
primeiro-ministro Wen Jiabao fez uma viagem de emergência a
Chengdu.
De acordo com dados oficiais transmitidos pela Xinhua,
houve também 61 mortos em Shaanxi, 48 em Gansu, 50 em Tonquim e
1 em Yunan.
O presidente dos EUA, George W. Bush, enviou condolências
às vítimas e ofereceu ajuda norte-americana. Japão, França e
Alemanha também ofereceram ajuda.
(Reportagem adicional dos escritórios de Pequim e Xangai)