Por Kevin Fylan
HAMBURGO, Alemanha (Reuters) - Para alguém que conquistou
tantos títulos, é estranho que a imagem que vai perdurar de
Oliver Kahn seja a solidão do goleiro após a falha que decretou
a derrota da Alemanha na final da Copa do Mundo de 2002 para o
Brasil.
Kahn, que faz seu último jogo como profissional no sábado,
quando o Bayern de Munique recebe o Hertha Berlim pelo
Campeonato Alemão, passou a maior parte dos 21 anos de carreira
dividido entre as polêmicas fora de campo e a admiração dos
torcedores.
Enquanto a torcida do Bayern sempre o amou, foi apenas
quando ele cometeu um erro e foi derrotado que o restante da
Alemanha declarou seu carinho por ele.
O goleiro de 38 anos, que foi contratado pelo Bayern junto
ao Karlsruhe em 1994, se aposenta após ter conquistado oito
títulos alemães e seis Copas da Alemanha.
Ele foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 2002, o
melhor em campo na vitória do Bayern sobre o Valencia na final
da Liga dos Campeões de 2001 e o melhor goleiro do mundo em
três ocasiões.
O jogo de sábado em Munique será o 557o de Kahn na
Bundesliga, um recorde para goleiros.
"Nunca teríamos conquistado a Liga dos Campeões sem as
atuações de Kahn, e sua personalidade e vontade fora de campo",
disse o presidente do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge.
"Ele é o nosso jogador mais importante da última década."
Kahn é o tipo de jogador que os torcedores rivais adoram
odiar. Conhecido na Alemanha como Rei Kahn, ele tinha absoluta
dedicação para vencer, e às vezes exagerava ao criticar
companheiros de equipe por atuações ruins.
Mas houve momentos em que torcedores alemães e do restante
do mundo demonstraram carinho pelo goleiro.
Em 1999, o Bayern de Kahn perdeu a final da Liga dos
Campeões para o Manchester United após uma final incrível, em
que o time inglês marcou dois gols nos últimos segundos.
Houve uma onda de solidariedade com Bayern e Kahn em
particular, em vez de críticas à derrota da equipe.
Na Copa do Mundo de 2002, Kahn conduziu a Alemanha até a
final com defesas espetaculares, mas na final acabou falhando
no lance que resultou no primeiro gol de Ronaldo, na vitória de
2 x 0 do Brasil. Kahn ficou desolado debaixo das traves após o
final da partida.
Quatro anos depois, o goleiro teve outra frustração, quando
o técnico Juergen Klinsmann optou por Jens Lehmann, seu grande
rival, como titular da seleção no Mundial realizado no país.
Mesmo muito abatido, Kahn aceitou a reserva e foi
considerado um exemplo de comportamento esportivo para o país.