Por Alan Baldwin
LONDRES (Reuters) - Após suas cinco primeiras corridas na
Fórmula 1 sem conquistar nem um ponto sequer ou mesmo chegar
entre os dez primeiros colocados, o estreante brasileiro
Nelsinho Piquet esforça-se ao máximo para soar confiante a
respeito de seu futuro na categoria.
"Alguns pilotos levam mais tempo para aprender, outros
pegam as coisas já no começo", afirmou Nelsinho, de 22 anos,
que cruzou a linha de chegada em 15o lugar com seu Renault no
Grande Prêmio da Turquia, no fim de semana passado.
"Acho que isso depende da situação e do quão confortável o
piloto se sente com o carro e a equipe."
"Se tudo der certo, vou melhorar a cada corrida e vou me
sentir mais confortável com tudo. E assim chegaremos lá. A
equipe tem me dado muito apoio. Eles vêm tentando de tudo para
me ajudar o quanto preciso, de forma que não tenho nada do que
reclamar", acrescentou.
"Claro que desejo marcar pontos, mas isso vai acontecer,
cedo ou tarde."
As comparações perseguem Nelsinho desde o dia em que
ingressou em um paddock da Fórmula 1 como companheiro de equipe
do bicampeão mundial Fernando Alonso.
A comparação mais óbvia é com o pai e homônimo do piloto,
Nelson Piquet, tricampeão mundial que se aposentou em 1991 após
vencer 23 Grandes Prêmios.
Depois há Lewis Hamilton, o britânico que venceu Nelsinho
na disputa pelo título da GP2 em 2006 e que tinha também 22
anos de idade quando realizou sua sensacional estréia na
categoria, pela McLaren, no ano passado, ao lado do espanhol
Alonso.
Heikki Kovalainen, que enfrentou um ano de estréia difícil
na Renault em 2007 antes de trocar de lugar com Alonso na
McLaren e mostrar suas verdadeiras habilidades, representa
outro ponto de comparação para Nelsinho.
NOVE PÓDIOS
Hamilton estreou na F1 com novo pódios sucessivos, vencendo
sua sexta e sétima corridas. E ferindo assim o orgulho de
Alonso, de quem terminou à frente no Mundial do ano passado.
Nelsinho, apesar de estar em uma circunstância bastante
diferente, recebeu a bandeirada final apenas duas vezes até
agora.
O carro da Renault não se compara com a McLaren de 2007 ou
2008, mas Alonso mostrou o peso que a experiência de um piloto
tem quando conquistou o quarto lugar na Austrália em março,
largou na primeira fila na Espanha e terminou em sexto lugar na
Turquia, no último fim de semana.
Enquanto o espanhol ocupa a nona posição na disputa pelo
título, Nelsinho é apenas o 18o. E dois dos quatro pilotos que
estão abaixo dele na classificação geral nem mesmo participam
mais do campeonato porque a equipe deles, a Super Aguri, fechou
as portas.
A Fórmula 1 é um tipo de categoria esportiva na qual
qualquer piloto com dificuldades para obter resultados torna-se
alvo de uma fábrica de boatos. Mas o chefe da equipe Renault,
Flavio Briatore, continua a dar apoio a Nelsinho.
"Nelsinho tem talento, sem sombra de dúvida", afirmou
Briatore à Reuters antes da corrida na Turquia. "Nelsinho é
parte da equipe e nós precisamos dar apoio a ele. Eu não tenho
dúvidas a respeito do Nelsinho."