SÃO PAULO - Pode gritar à vontade, torcedor colorado. O Internacional é campeão mundial! Contrariando todas as previsões, o time brasileiro desbancou o poderoso Barcelona e pintou o mundo de vermelho e branco. O herói da maior glória da história colorada foi o meia Adriano, um dos poucos jogadores no elenco que ainda não haviam conquistado totalmente a torcida. Com um gol aos 36min do segundo tempo, ele definiu o marcador e calou espanhóis e gremistas, que viram o 'Gabiru' ofuscar Ronaldinho Gaúcho e escrever seu nome na história do Sport Club Internacional.
O título premia uma equipe valente, que jogou de igual para igual com o time, até então, considerado o melhor do mundo. O Barcelona simplesmente não jogou no estádio Internacional de Yokohama, no Japão. Apesar de ter mais posse de bola em boa parte do jogo, pouco perigo levou ao gol braisleiro. Acabou castigado no final, dando números justos ao jogo.
Quem esperava um passeio do Barcelona percebeu, logo nos primeiros minutos, que a coisa seria bem diferente. Os jogadores do Inter seguiram as orientações do técnico Abel Braga e apertaram a marcação, não dando espaço para o adversário jogar. Ronaldinho, claro, foi vigiado bem de perto, e não conseguiu mostrar sua magia.
Com o jogo fechado, a equipe espanhola se aproximou pouco do gol de Clemer. A primeira boa chance veio após um corta-luz de Deco na entrada da área. Van Bronckhorst bateu firme e o goleiro do Inter rebateu. Ronaldinho pegou a sobra e mandou para fora. Depois, numa falta da entrada da área, o brasileiro exigiu outra defesa do goleiro, mas nada muito complicado.
Só que a marcação também funcionou do outro lado. Apagados, Fernandão e Alexandre Pato foram praticamente nulos. Os poucos lances ofensivos da equipe brasileira na etapa inicial surgiram em esporádicos contra-ataques, sempre bem controlados pela zaga barcelonista. O chute mais perigoso foi de Índio, que apareceu de surpresa no ataque e bateu por cima do gol.
Além de manter a forte marcação, o Inter resolveu arriscar um pouco mais no segundo tempo. Com isso, passou a controlar o jogo, rondando a área do Inter. Não chegou a criar grandes lances de perigo, já que os espaços continuavam pequenos. Mas fez com que os espanhóis se encolhessem lá atrás, dando uma folguinha aos marcadores brasileiros.
O problema é que o Inter foi se desgastando, e pouco a pouco o Barcelona equilibrou o jogo. Com a vantagem de ter se desgastado menos. Diante do cansaço dos colorados, o time catalão achou espaço para seu habitual toque de bola. E quase abriu o placar. Belletti avançou pela direita e fez o passe para Deco, que mandou de primeira. Xavi nem esperou a bola cair e chutou rasteiro, mas Clemer fez defesa segura
A saída de Fernandão, com cãibras, parecia desenhar um pesadelo para o Internacional, que perdia seu capitão e principal jogador. Ironia do destino, o substituto dele se tornou o grande herói colorado. Iarley começou a jogada do gol, numa mistura de raça e técnica. Ele ganhou de Puyol e avançou em direção à área. Adriano se enfiou entre os zagueiros e recebeu o passe preciso. De frente para Valdés, bateu com calma e a bola morreu mansamente no fundo das redes do Inter.
Dali para a frente, o sofrimento colorado só aumentou. A pressão do Barça foi intensa, e o goleiro Clemer começou a trabalhar. Primeiro no chute de Deco, que exigiu elasticidade do goleiro. Depois, sem se mexer, ele 'defendeu com os olhos' a falta cobrada por Ronaldinho, que passou rente à trave.
Não era mesmo a noite do Barça. Diante de um adversário cada vez mais feroz, os espanhóis foram murchando aos poucos até o apito final do árbitro. Daí em diante, a festa foi colorada.
INTERNACIONAL 1 X 0 BARCELONA
Internacional
Clemer; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Fernandão (Adriano) e Alex (Vargas); Alexandre Pato (Luiz Adriano) Iarley.
Técnico:
Barcelona
Valdés; Zambrota (Belletti), Puyol, Rafa Márquez e Van Bronckhorst; Thiago Motta, Iniesta (Xavi) e Deco; Giuly, Gudjohnsen (Ezquerro) e Ronaldinho.
Técnico: Frank Rijkaard
Data: 17/08/2006 (Domingo)
Horário: 8h20 (horário de Brasília)
Local: Estádio Internacional de Yokohama, no Japão
Árbitro: Carlos Brates (Guatemala)
Auxiliares: Carlos Prastana (Honduras) e Leonel Leal (Costa Rica)
Cartões amarelos: Índio, Thiago Motta e Adriano
Gols: Adriano 36min do segundo tempo