BANGCOC (AFP) - A chama olímpica chegou nesta sexta-feira à Tailândia em tumultuado périplo mundial e em meio a uma crescente controvérsia, depois que um importante templo budista japonês se negou a ser o ponto de partida da tocha no Japão devido à repressão no Tibete.
As autoridades tailandesas ameaçaram deportar os estrangeiros que perturbarem o evento, mas, ao contrário de outras etapas, não encurtaram o percurso da chama por Bangcoc.
"Não há motivos para modificar a cerimônia. Este é um tema puramente esportivo. No sábado realizaremos por completo os 19 km do percurso", afirmou o primeiro-ministro tailandês Samak Sundaravej.
"Dei instruções às autoridades para que tomem medidas firmes contra os agitadores", acrescentou.
Na noite desta sexta, a princesa Maha Chakri Sirindhorn oferecerá um jantar para as 80 pessoas que correrão com a chama olímpica.
Depois de momentos tumultuados em Londres e Paris, a passagem da chama olímpica se tornou uma grande dor de cabeça para as autoridades chinesas.
Anfitriã dos Jogos, a China sofreu um novo golpe nesta sexta quando um importante templo budista japonês de Nagano, no centro do Japão, que deveria ser o ponto de partida do revezamento da tocha olímpica no país, no dia 26 de abril, foi retirado do percurso porque seus monges rejeitam a situação dos direitos humanos no Tibete, informou nesta sexta-feira a agência de notícias Jiji.
O templo de Zenkoji, na cidade de Nagano, sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1998, se negou a servir de ponto de partida para o revezamento da chama, disse o chefe do comitê organizador local, Kunihiko Shinohara.
"Respeitamos a decisão do Zenkoji e modificaremos o ponto de partida" do revezamento, de 18,5 quilômetros, declarou Shinohara à imprensa.
A cidade de Nagano, que sediou os Jogos Olímpicos de inverno de 1998 e receberá a chama olímpica, tinha pedido no outono (hemisfério norte) passado para que o templo fosse o ponto de partida do revezamento, de 18,5 km.
"Aceitamos este pedido com todo o coração", disse um responsável do templo à AFP, mas "a situação mudou (...) e os monges estão muito preocupados" com a repressão no Tibete.
"Sentimos profundamente que somos os mesmos budistas que os tibetanos", declarou um monge à agência Jiji.
O templo Zenkoji data do século VII e recebe a cada ano cerca de seis milhões de peregrinos.
Nagano já cancelou uma celebração pública ligada à passagem da tocha por motivos de segurança.