Waldheim García Montoya São Paulo, 18 mai (EFE).- Os jogadores de hoje são "vítimas" da chamada "sociedade do espetáculo", afirmou Tostão, ex-jogador da seleção brasileira.
"Os jogadores já não são notícia somente pelo que fazem nos gramados, mas por suas vidas e pelo que despertam fora dos campos", afirmou o ex-jogador de Vasco e Cruzeiro à Agência Efe.
Tostão falou sobre o caso vivido por Ronaldo recentemente, quando foi parar na delegacia após se envolver com três travestis no Rio de Janeiro.
"Isto marcará a carreira de Ronaldo por toda a vida", sentenciou Tostão, formado em medicina e respeitado comentarista de futebol.
"Os jogadores estão presos à 'sociedade do espetáculo', como se vivessem em um 'reality show', vigiados por câmeras a todo momento.
Por isso, devem cuidar de suas vidas privadas, que são cada vez mais públicas na medida que se tornam celebridades", acrescentou Tostão.
O ex-ídolo do Cruzeiro admitiu que o problema dos "grandes jogadores" não é exclusivo dos brasileiros.
"A questão é que os brasileiros são maioria entre os bons, são muitos. Porém, em grande parte dos países os jogadores não têm uma educação adequada", afirmou.
Para o ex-jogador, os empresários e diretores do futebol "não se preocupam" da educação dos jogadores. E "não contribuem para dar soluções, pois o que mais lhes interessa é que os jogadores se transformem em celebridades para poder vendê-los".
A última edição da revista "Placar" trouxe uma reportagem com o título "Balada Futebol Clube", que falou sobre os escândalos protagonizados por Adriano, Ronaldinho Gaúcho e Robinho.
O atacante Romário, que acabou de se aposentar, também é citado por casos como o das caricaturas de seu bar, que mostravam Zico e Zagallo em posições constrangedoras.
A revista brasileira também falou sobre o drama do ex-jogador Walter Casagrande, que revelou ser dependente de cocaína e está internado em uma clínica de desintoxicação em São Paulo.
Mario Jardel, que passou por Vasco, Grêmio, Porto e Sporting, revelou ter problemas com cocaína e disse à "TV Globo" que "não pode ser exemplo para ninguém".
"Tudo começou com más companhias. Depois, o divórcio, a depressão e a cocaína (...) Abro meu coração e reconheço meus erros. Não consumo há dois meses, mas não posso garantir que não cairei no vício outra vez, porque estaria mentindo para mim mesmo", disse o atacante. EFE wgm/plc |Q:DEP:pt-BR:15054000:Esportes:Futebol|