Por Pedro Fonseca
BELO HORIZONTE (Reuters) - A seleção argentina desembarcou
em Belo Horizonte para a partida de quarta-feira contra o
Brasil tão pressionada quanto a equipe do técnico Dunga, após
ter sofrido bastante para arrancar um empate em casa contra o
Equador no fim de semana.
"Ganhar aqui no Brasil seria muito importante para a
gente", disse em entrevista coletiva o meia Juan Román
Riquelme, após a chegada do time à capital mineira, onde a
Argentina perdeu por 3 x 1 nas eliminatórias passadas, em 2004.
"Nós temos a mesma pressão que o Brasil. É uma partida
muito importante para os dois, as duas equipes têm a obrigação
de ganhar", acrescentou o jogador do Boca Juniors.
O clima tenso da delegação argentina ficou evidente durante
a entrevista concedida por Riquelme e o capitão Javier Zanetti,
no hotel onde o time está concentrado.
Primeiro Riquelme bateu boca com um jornalista de seu país
que perguntou a respeito de um possível desentendimento entre
ele e Lionel Messi. "Você está inventando coisas", respondeu o
meia, bastante irritado.
Pouco depois, foi a vez de Zanetti perder a paciência
quando o repórter de um programa humorístico brasileiro
perguntou se poderia haver panelaço em Buenos Aires caso o
Brasil vencesse o clássico.
"Primeiramente, não pensamos em perder. Esse é um assunto
muito importante para o nosso país, não acho que seja uma
assunto para se fazer brincadeira", afirmou o capitão.
Para piorar a situação dos argentinos, que perderam os
últimos três jogos contra o Brasil, o técnico Alfio Basile terá
os desfalques do zagueiro Martín Demichellis, suspenso, e do
meia Juan Sebastián Verón, lesionado. Javier Mascherano,
ex-Corinthians, ainda é dúvida.
Os desfalques argentinos foram minimizados pelo capitão da
equipe --"quem entrar tem a mesma obrigação de vencer", afirmou
Zanetti-- assim como a ausência da dupla brasileira Kaká e
Ronaldinho Gaúcho.
"Estamos falando de grandes jogadores como Kaká e
Ronaldinho, mas eles (a seleção brasileira) têm grandes figuras
que podem fazer a diferença, como Robinho, Luis Fabiano e
Adriano. O Brasil é uma grande equipe, um grande conjunto",
afirmou o lateral-direito.
Apesar de os últimos três confrontos entre os maiores
rivais sul-americanos terem sido vencidos sem contestação pelo
Brasil --4 x 1 na final da Copa das Confederações de 2005, 3 x
0 em amistoso em 2006 e 3 x 0 na final da Copa América de
2007-- Zanetti não acredita que o duelo desta semana deve ser
encarado como uma revanche, mas sim uma partida especial.
O clássico colocará frente a frente as duas equipes que
lideram o ranking de seleções da Fifa e estarão em campo
algumas das principais estrelas do futebol internacional, como
Lionel Messi, Sergio Aguero, Robinho e Adriano.
"Essa é uma partida a parte, uma partida especial, é um
clássico. Não importa como jogamos antes, a Argentina pode
jogar melhor do que contra o Equador e ganhar do Brasil",
afirmou Zanetti, citando o empate por 1 x 1 com os
equatorianos, no domingo.