La Paz, 19 abr (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que a carta da Fifa proibindo o país de continuar disputando partidas de eliminatórias da Copa do Mundo na altitude de La Paz não passa de provocação, enquanto a Federação Boliviana de Futebol (FBF) anunciou que não acatará o veto.
"É uma provocação à nação, às famílias e aos seres humanos que vivem na altura", disse Morales, que convocou os países da América do Sul a uma "grande rebelião, saudável e digna" contra o veto da Fifa a La Paz.
Um porta-voz da FBF confirmou o estádio Hernando Siles de La Paz, a quase 3.600 metros acima do nível do mar, como sede dos jogos da Bolívia nas Eliminatórias Sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.
A decisão da FBF responde a um comunicado da Fifa, que pede a designação de uma nova cidade porque os jogadores são liberados por seus clubes apenas quatro dias antes - e para atuar em La Paz é necessário um período de adaptação prévia de duas semanas.
A FBF tinha anunciado no começo de abril a contratação de advogados espanhóis para apelar ao Tribunal Arbitral do Esporte a exigência da Fifa de uma semana de aclimatação para jogar a mais de 2.750 metros, e dois se forem mais de 3.000 metros acima do nível do mar.
Em carta à Fifa, o presidente da FBF, Carlos Chávez, diz que "a soberania de continuar jogando na sede histórica do futebol boliviano é uma questão irrenunciável e de princípios".
Além disso, Chávez insiste em defender que "a saúde dos jogadores de outros países não corre nenhum risco ao atuar em altitudes superiores a três mil metros".
Evo Morales, que há meses protagoniza uma intensa campanha a favor do esporte na altitude, lamentou a carta da Fifa porque segundo ele, o que ela faz é "esquartejar" o futebol.
O líder, grande fã do esporte e inscrito em uma equipe da segunda divisão pela qual ainda não atuou, acrescentou que para ele "o futebol é especialmente integrador, e não se limita a campeonatos ou troféus".
No mês passado, Morales jogou uma partida contra uma equipe liderada pelo astro argentino Diego Maradona com o objetivo de arrecadar ajuda destinada aos desabrigados pelas inundações e em defesa do estádio Hernando Siles como sede da seleção boliviana. EFE az/ev/dp
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