A Confederação Brasileira de Atletismo já tem os dados necessários para elaborar o relatório que tenta esclarecer os casos de doping de atletas da Rede Atletismo. Nesta segunda-feira, a Comissão de Inquérito Administrativo da entidade ouviu os depoimentos dos velocistas José Carlos Gomes Moreira, o Codó, e Ana Claudia Lemos Silva, que faziam parte do grupo treinado por Jayme Netto, mas não foram flagrados com nenhuma substância ilegal no organismo.
Entretanto, os relatos dos atletas nesta segunda-feira não trouxeram novidades à investigação da entidade. "Esses depoimentos aclararam alguns fatos, mas não trouxeram novos fatos para a comissão", disse o superintendente técnico da CBAt, Martinho Nobre dos Santos. "Nós vamos fazer o nosso relatório, para entregar à Confederação encaminhar ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva [da CBAt], para que as coisas andem como têm que andar", completou.
O maior lamento da Comissão é a falta de declarações do fisiologista da Unesp, Pedro Balikian, apontado pelos atletas envolvidos no escândalo como mentor do programa de doping. "O depoimento do Pedro Balikian seria de uma contribuição muito importante. Acho que o Pedro poderia ter nos dado essas explicações, acho que a comunidade ficaria muito satisfeita" queixou-se Thomaz Mattos, presidente da Comissão Antidoping da Confederação, que participou dos depoimentos por videoconferência.
O técnico Jayme Netto Júnior assumiu a culpa pelos casos de doping, mas disse que era orientado por Balikian que, por não ser filiado à CBAt foi apenas convidado, e não intimado, a depor.
Bruno Lins Tenório de Barros, Jorge Célio da Rocha Sena, Josiane da Silva Tito, Luciana França e Lucimara Silvestre, que testaram positivo para eritropoeitina, alegaram não saber que a substância que injetavam no corpo era ilegal. Codó, que era companheiro de Lins no revezamento 4x100m, acredita que os atletas deveriam ter tomado mais cuidado. "Independente do pensamento de cada um, ele [Lins] deveria saber o que tava tomando. Então, se ele tomou alguma coisa, acho que ele não desconfiou de alguém. Infelizmente deu no que deu. Agora é esperar dois anos [tempo de punição]."
Outro ponto de que a Comissão de Inquérito se queixa é não saber o nome de outros atletas envolvidos no programa de Balikian. "O professor Jayme em seu depoimento não nos indicou nenhum atleta a mais que fizesse o tratamento, disse textualmente que havia mais atletas que faziam, mas não indicou o nome desses atletas no depoimento."