DUBLIN, Irlanda (AFP) - A Federação Irlandesa de Futebol (FAI) reconheceu neste sábado ter fracassado em seu objetivo de conseguir que uma nova partida fosse disputada contra a França pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, enquanto Zinédine Zidane saiu em defesa de Thierry Henry, autor da jogada que originou o polêmico gol de mão de William Gallas.
"Lamentamos que, apesar de nossos esforços para que a partida voltasse a ser disputada, o que teria trazido de volta a honestidade do esporte no mundo, nossos apelos tenham caído em ouvidos surdos na federação francesa", considerou o presidente da federação, John Delaney, em um comunicado.
"Não há dúvida de que a credibilidade do jogo limpo foi comprometida por esse incidente diante de uma audiência internacional (...) Continuaremos pedindo à Fifa para que tome decisões que permitam que esse tipo de exemplo de trapaça não possa voltar a acontecer", concluiu a federação no comunicado.
O gesto de Henry, que conduziu a bola com a mão e deu o passe para o gol que classificou a França para a Copa do Mundo de 2010, desencadeou uma grande polêmica em todo o mundo sobre a honestidade do jogador e sobre a necessidade de se melhorar o sistema de arbitragem do futebol com a utilização do vídeo.
Zinédine Zidane quis dar seu apoio neste sábado a Henry e assegurou que "não é um trapaceiro".
"Ouvi muitas coisas nestes últimos dias, muitas coisas foram ditas e não quero acrescentar mais, mas só quero dizer que Thierry Henry não é um trapaceiro", declarou em uma entrevista coletiva à imprensa organizada na cidade francesa de Rennes para falar de uma organização de caridade da qual é embaixador.
"É verdade que a falta é grave, não deve repeti-la", disse Zidane.
"Não se pode importuná-lo mais. É uma jogada difícil de aceitar para os irlandeses, com certeza, mas acontece muitas vezes em um campo de futebol. Só quero dizer que muitas coisas foram ditas sobre Henry, exageramos um pouco", disse o ex-jogador do Real Madrid.
O gol de Henry também trouxe de volta à tona o debate sobre a necessidade de se utilizar o vídeo na arbitragem das partidas de futebol. Zidane, favorável a esse sistema, disse: "não podemos continuar assim".
O porta-voz do partido francês UMP, do presidente Nicolas Sarkozy, escreveu uma carta à Uefa para pedir o uso de imagens.
"Por que esta rejeição a um novo progresso em um mundo que mudou?", escreveu Frédéric Lefebvre em uma carta aberta a Michel Platini.
O presidente da Uefa se opõe à introdução do vídeo no auxílio aos árbitros de futebol porque teme que "mate" o esporte e por preferir uma arbitragem mais "humana".