Por Tatiana Ramil
SÃO PAULO (Reuters) - Com a aposentadoria de Baloubet du
Rouet, o atual campeão olímpico Rodrigo Pessoa aposta em um
novo fenômeno do hipismo, Rufus. Nada comparado, porém, ao
ídolo antigo, o Pelé do esporte, de acordo com Nelson Pessoa,
pai do cavaleiro e técnico da equipe brasileira de saltos.
"O Baloubet tinha um carisma enorme. Todos no mundo hípico
acreditam que ele foi o melhor de todos os tempos. Ele é
insubstituível, é como o Pelé, nada pode ser comparado",
afirmou Neco a jornalistas nesta sexta-feira.
Montando Baloubet, Rodrigo passou por uma decepção nos
Jogos de Sydney-2000, em um refugo histórico, até a alegria da
medalha de ouro em Atenas-2004, quando seu companheiro se
aposentou, aos 18 anos.
Nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, no ano passado,
Rodrigo montou Rufus e é com ele que o cavaleiro deve disputar
a Olimpíada de Pequim, em agosto.
"O Rufus seria o novo fenômeno brasileiro que está no
Milan, o Pato", brincou Nelson Pessoa, conhecido como Neco.
Holandês, Rufus está com 10 anos, "uma idade perfeita",
disse o pai de Rodrigo, e "com experiência, já que participou
de boas provas, principalmente o Pan, que é uma espécie de
miniatura das Olimpíadas".
"O Rufus estará à altura da concorrência e isso é o
principal. Ele tem todas as características de um cavalo de
grande qualidade", disse Neco.
Outro animal elogiado pelo técnico da equipe de saltos é
Picolien, égua de Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda,
também holandesa. "Ela progrediu muito. O Doda pôde dar a ela
uma preparação profissional. É uma égua excepcional, de alto
nível."
Bernardo Resende Alves, que também deve estar na equipe
brasileira em Pequim, montará Canturo ou Chupa Chup 2.
"O Canturo esteve lesionado por um ano, está voltando às
competições agora. Se as condições físicas dele estiverem bem,
Bernardo optará por ele. É superior ao Chupa Chup", afirmou
Neco.
O certo é que os animais devem sofrer com o calor e a
umidade de Pequim. O técnico brasileiro contou que todos
ficarão em ar condicionado, mesmo nas instalações de
competição.
"Nossos cavalos são todos europeus, então estaremos nas
mesmas condições dos cavalos alemães, holandeses, etc. O que
vai contar é a preparação e a condição física destes animais",
afirmou Neco.
"Lá nenhum dos cavalos vai melhorar a condição física,
todos vão piorar um pouco. Vamos ver qual não vai perder muito
das condições."