Por Tatiana Ramil
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil nunca esteve tão perto
do segundo lugar em Jogos Pan-Americanos como no Rio de
Janeiro. Ao final desta segunda-feira, a vantagem de Cuba era
de apenas dois ouros no quadro de medalhas -- 31 contra 29.
No total, Cuba tem 65 medalhas e o Brasil, 91. Os Estados
Unidos lideram com folga, com 147 no total, sendo 60 de ouro.
Mesmo com a proximidade, dirigentes brasileiros mantêm os
pés no chão a seis dias do final das competições.
"Daqui para frente eles devem abrir vantagem porque serão
disputados eventos em que eles são fortes, como atletismo,
boxe, canoagem e lutas olímpicas", disse o chefe de missão do
Brasil, Marcus Vinicius Freire, à Reuters.
No boxe, Cuba sofreu um golpe com as "deserções" de seus
dois principais pugilistas. O campeão olímpico Guillermo
Rigondeaux, da categoria 54 quilos, e o campeão mundial dos 69
quilos Erislandy Lara deveriam tentar o bicampeonato no Rio,
mas não apareceram para a competição.
Em seu favor, o Brasil tem a expectativa de conquistar
medalhas de ouro no vôlei masculino, futsal, futebol feminino,
vela, além de algumas no atletismo. Mas ficaria atrás dos
rivais cubanos, de qualquer maneira.
"O histórico de Cuba é em torno de 70 medalhas de ouro.
Para nós, 70 de ouro é impossível", explicou Freire.
Antes do Pan, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) colocou
como objetivo o terceiro lugar geral, o que significaria subir
um degrau em relação ao Pan de Santo Domingo, em 2003, quando o
Brasil foi superado por pouco pelo Canadá -- ambos levaram 29
ouros, mas os canadenses ganharam um total de 128 medalhas
contra 123 dos brasileiros.
O Brasil poderia ter assumido a segunda colocação no quadro
de medalhas no domingo, quando a vantagem de Cuba ficou em dois
ouros, caso tivesse vencido três confrontos-chave e polêmicos
contra os cubanos no Rio.
"NOVA" RIVALIDADE
Até agora, os embates entre Brasil e Cuba fizeram surgir
uma rivalidade feroz entre os dois países, com direito a
pancadaria.
Na disputa da categoria meio-leve (até 52 quilos) do judô,
houve muita confusão depois que o árbitro puniu a brasileira
Érika Miranda, o que garantiu a medalha de ouro a Sheila
Espinosa. O público protestou, e dirigentes cubanos e
brasileiros discutiram.
O bate-boca gerou um empurra-empurra, e nesta segunda-feira
o Comitê Organizador dos Jogos cancelou as credenciais de dois
dirigentes brasileiros, Francisco Neto e Eduardo Costa, por
causa da briga.
O judô gerou um desconforto entre cubanos e brasileiros
logo no primeiro dia de disputa, na final da categoria pesado
(mais de 100 quilos), em que o brasileiro João Gabriel
Schlitter perdeu para o cubano Oscar Brayson por decisão da
arbitragem, após empate na luta.
O brasileiro reclamou do fato de um dos três árbitros ser
cubano naturalizado norte-americano. "Eu acho que tem
problema", declarou Schlitter, irritado, após Brayson ter
afirmado que não via problema na questão.
Cuba levou a melhor também na final do vôlei feminino, num
jogo equilibrado e emocionante, decidido no tiebreak. O técnico
brasileiro, José Roberto Guimarães, reclamou da arbitragem,
argumentando que o ataque que decidiu o jogo teria sido fora.
Por seu lado, o Brasil deu o troco em Cuba nas finais do
vôlei de praia e do handebol e na semifinal do basquete, todos
femininos.
No basquete e no handebol, as brasileiras reclamaram do
jogo físico das cubanas. "Elas foram desleais", disse a pivô do
handebol Juceli.