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Hoje em esportes
Mesmo perto de Cuba, Brasil descarta 2o lugar no Pan
(Seg, 23 Jul, 09h56)
Reuters
 

Por Tatiana Ramil

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Brasil nunca esteve tão perto do segundo lugar em Jogos Pan-Americanos como no Rio de Janeiro. Ao final desta segunda-feira, a vantagem de Cuba era de apenas dois ouros no quadro de medalhas -- 31 contra 29.

No total, Cuba tem 65 medalhas e o Brasil, 91. Os Estados Unidos lideram com folga, com 147 no total, sendo 60 de ouro.

Mesmo com a proximidade, dirigentes brasileiros mantêm os pés no chão a seis dias do final das competições.

"Daqui para frente eles devem abrir vantagem porque serão disputados eventos em que eles são fortes, como atletismo, boxe, canoagem e lutas olímpicas", disse o chefe de missão do Brasil, Marcus Vinicius Freire, à Reuters.

No boxe, Cuba sofreu um golpe com as "deserções" de seus dois principais pugilistas. O campeão olímpico Guillermo Rigondeaux, da categoria 54 quilos, e o campeão mundial dos 69 quilos Erislandy Lara deveriam tentar o bicampeonato no Rio, mas não apareceram para a competição.

Em seu favor, o Brasil tem a expectativa de conquistar medalhas de ouro no vôlei masculino, futsal, futebol feminino, vela, além de algumas no atletismo. Mas ficaria atrás dos rivais cubanos, de qualquer maneira.

"O histórico de Cuba é em torno de 70 medalhas de ouro. Para nós, 70 de ouro é impossível", explicou Freire.

Antes do Pan, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) colocou como objetivo o terceiro lugar geral, o que significaria subir um degrau em relação ao Pan de Santo Domingo, em 2003, quando o Brasil foi superado por pouco pelo Canadá -- ambos levaram 29 ouros, mas os canadenses ganharam um total de 128 medalhas contra 123 dos brasileiros.

O Brasil poderia ter assumido a segunda colocação no quadro de medalhas no domingo, quando a vantagem de Cuba ficou em dois ouros, caso tivesse vencido três confrontos-chave e polêmicos contra os cubanos no Rio.

"NOVA" RIVALIDADE

Até agora, os embates entre Brasil e Cuba fizeram surgir uma rivalidade feroz entre os dois países, com direito a pancadaria.

Na disputa da categoria meio-leve (até 52 quilos) do judô, houve muita confusão depois que o árbitro puniu a brasileira Érika Miranda, o que garantiu a medalha de ouro a Sheila Espinosa. O público protestou, e dirigentes cubanos e brasileiros discutiram.

O bate-boca gerou um empurra-empurra, e nesta segunda-feira o Comitê Organizador dos Jogos cancelou as credenciais de dois dirigentes brasileiros, Francisco Neto e Eduardo Costa, por causa da briga.

O judô gerou um desconforto entre cubanos e brasileiros logo no primeiro dia de disputa, na final da categoria pesado (mais de 100 quilos), em que o brasileiro João Gabriel Schlitter perdeu para o cubano Oscar Brayson por decisão da arbitragem, após empate na luta.

O brasileiro reclamou do fato de um dos três árbitros ser cubano naturalizado norte-americano. "Eu acho que tem problema", declarou Schlitter, irritado, após Brayson ter afirmado que não via problema na questão.

Cuba levou a melhor também na final do vôlei feminino, num jogo equilibrado e emocionante, decidido no tiebreak. O técnico brasileiro, José Roberto Guimarães, reclamou da arbitragem, argumentando que o ataque que decidiu o jogo teria sido fora.

Por seu lado, o Brasil deu o troco em Cuba nas finais do vôlei de praia e do handebol e na semifinal do basquete, todos femininos.

No basquete e no handebol, as brasileiras reclamaram do jogo físico das cubanas. "Elas foram desleais", disse a pivô do handebol Juceli.

 
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