Por Brian Homewood
PEQUIM (Reuters) - O futebol frequentemente parece estar em má companhia na Olimpíada mas, como um convidado indesejado, reluta em deixar a festa.
Um dos poucos esportes que evita enviar a maioria de seus melhores jogadores para participar, o futebol foi, na maior parte do tempo, deixado de lado da real ação na China, com muitas partidas jogadas a milhares de quilômetros de Pequim.
A Fifa limitou a participação no torneio a jogadores sub-23, com cada time podendo levar até três atletas acima dessa idade. O objetivo da entidade é evitar que a Olimpíada rivalize com a Copa do Mundo.
Muitos críticos acham que isso criou um evento híbrido e que o futebol deveria deixar os Jogos, ou acabar com o limite de idade.
Apesar da controvérsia, o torneio, que terminou com a vitória da Argentina na final sobre a Nigéria por 1 x 0, atingiu um recorde de 2,14 milhões de espectadores nos 58 jogos, nos torneios masculino e feminino, média de público de 36.000 pessoas.
Também ostentou dois dos maiores nomes do esporte, com a Argentina trazendo Messi e o Brasil, Ronaldinho Gaúcho. Mas a presença de Messi esteve ameaçada devido a uma disputa entre a Argentina e o Barcelona. Na véspera da estréia dos argentinos, o Barcelona venceu um recurso na Corte de Arbitragem do Esporte contra a regra da Fifa que obriga os clubes a liberarem os jogadores sub-23.
Mas a equipe espanhola concordou em permitir que ele continuasse na China depois de chegar a um acordo com a confederação argentina.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que as críticas sobre o futebol olímpico vêm principalmente da Europa e aponta que, fora Barcelona-1992 e Atenas-2004, o torneio tem sido disputado sempre com casa lotada desde a introdução do formato sub-23.
"Na Europa eles estão mal acostumados com o futebol", disse Blatter, completando que ele deve propor o mesmo formato atual para Londres-2012.
"Pergunte aos organizadores de Atlanta, Sydney ou Pequim se eles não gostaram de ter o futebol."
Blatter disse esperar que a Grã-Bretanha encontre uma forma de colocar um time em campo para os Jogos de Londres.
As associações de futebol de Gales, Irlanda do Norte e Escócia têm dito que não vão tomar parte de uma equipe britânica, temendo que isso possa abrir um precedente perigoso, que pode resultar na Grã-Bretanha formando uma equipe única para campeonato europeus e a Copa do Mundo.