Por Timothy Collings
VALÊNCIA (Reuters) - Felipe Massa e Lewis Hamilton tiveram
suas razões para ficarem aliviados neste domingo, depois de
terminarem respectivamente na primeira e segunda posições em um
Grande Prêmio da Europa quase sem ultrapassagens no novo
circuito de rua de Valência, na Espanha.
A vitória de Massa serviu para diminuir o desapontamento do
piloto da Ferrari, que abandonou o Grande Prêmio da Hungria,
disputado há três semanas, com o motor estourado, quando era o
líder da prova, a três voltas do final.
O brasileiro, que venceu a corrida deste domingo de ponta a
ponta de maneira inquestionável, subiu ao pódio com um
incidente de corrida não resolvido, que seria analisado pelos
comissários.
No fim das contas, ele escapou com uma multa de 10.000
euros (14.870 dólares), com a decisão dos comissários de que
apesar de sua saída de box após o segundo pitstop ter sido
perigosa, ela não representou vantagem esportiva para o
piloto.
Hamilton, da McLaren, que agora tem seis pontos de vantagem
para Massa no Mundial de Pilotos, ficou feliz por ter
conseguido superar o desconforto causado pelos sintomas da
gripe e por dores no pescoço que chegaram a ameaçar a
participação do britânico de 23 anos na prova.
A vitória devolveu Massa à segunda posição no campeonato,
depois que seu companheiro de equipe e atual campeão mundial,
Kimi Raikkonen, abandonou a corrida já em seu fim com outra
falha de motor.
"Eu estou tão agradecido, tão feliz, de ter andado como
andei aqui, depois de um resultado tão ruim na Hungria", disse
Massa, que terminou a prova 5,6 segundos à frente de Hamilton,
naquela que foi sua quarta vitória na temporada.
"O carro estava ótimo, especialmente no segundo trecho, e a
equipe esteve ótima também. Conseguir a pole position, vencer a
corrida e fazer a volta mais rápida -- você não poderia pedir
mais após um resultado como o de Budapeste."
A Ferrari segue na liderança do Mundial de Construtores com
121 pontos, seguida pela McLaren, com 113, e BMW Sauber, com
96.
Nelsinho Piquet completou a prova em 11o lugar com seu
Renault, enquanto Rubens Barrichello, da Honda, foi o 16o e
penúltimo entre os carros que terminaram a prova.
HAMILTON SOFRE
Hamilton, que também ganhou quatro corridas nesta
temporada, estava aliviado por deixar um "fim de semana
miserável" para trás.
"Eu estive com sintomas de gripe e febre quase todos os
dias. Me sentia sem energia e tinha problemas com espasmos no
meu pescoço", disse ele. "Isso quase me deixou fora da corrida
neste fim-de-semana."
"Pedro (de la Rosa, piloto de testes e reserva da equipe)
estava de prontidão. Mas eu consegui chegar ao fim, mesmo com
muita dificuldade."
O polonês Robert Kubica levou o terceiro lugar para a BMW
Sauber, apesar de sua direção ter ficado desbalanceada em razão
de um saco plástico que estava flutuando pela pista e acabou
preso embaixo de seu carro nas voltas iniciais.
"Eu me sentia como se não fosse capaz de dirigir, foi
bastante difícil segurar em duas curvas, até que o saco saísse
de lá, e depois eu perdi a confiança que tinha no carro", disse
ele. "Então fico feliz de ter chegado em terceiro, é um bom
resultado para a equipe."
Raikkonen, que não vence desde o Grande Prêmio da Espanha,
em abril, teve problemas em seu segundo pitstop e feriu um
mecânico ao sair com seu carro antes que a mangueira de
combustível fosse removida. Este incidente também ficou sob
investigação dos comissários.
À parte os pitsops da Ferrari, o primeiro grande prêmio
disputado em Valência se mostrou uma corrida previsível, com os
três primeiros chegando ao fim nas posições em que largaram.
O abandono de Raikkonen, que jogou fumaça preta por todo o
pit lane quando faltavam 12 voltas para o fim da corrida,
novamente deixa evidente a fragilidade dos motores Ferrari para
o restante do campeonato, que tem seis provas a serem
disputadas.
"Esta é uma questão para nós, porque tivemos problemas na
primeira corrida, na última e agora aqui", disse Massa.
A McLaren não teve muito com que se preocupar a este
respeito, com o vencedor do GP da Hungria Heikki Kovalainen
terminando em quarto, à frente da Toyota de Jarno Trulli e da
Toro Rosso do alemão Sebastian Vettel.
O alemão Timo Glock foi o sétimo com uma Toyota, enquanto
seu compatriota Nico Rosberg conseguiu a última posição que
pontua com sua Williams.
Fernando Alonso sofreu a maior decepção, já que o espanhol
bicampeão do mundo teve que abandonar logo depois da primeira
volta, depois de sua Renault ter sido acertada por Kazuki
Nakajima, da Willims.
"Eu queria seguir na prova pelos torcedores, mas o estrago
foi muito grande," disse ele.