LONDRES (Reuters) - O presidente da França, Nicolas
Sarkozy, deixou aberta nesta quinta-feira a possibilidade de
não participar da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de
Pequim por causa da repressão chinesa a manifestações no Tibet.
Falando em entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro
britânico, Gordon Brown, Sarkozy disse que sua participação ou
não na cerimônia vai depender de como a situação no Tibet
evoluirá e de consultas a outros países europeus.
"Nós ficamos chocados com o que aconteceu no Tibet e
fizemos saber a nossa grande preocupação, cada um a seu modo",
disse Sarkozy a jornalistas, referindo-se a ele próprio e a
Brown.
A crise no Tibet começou com marchas pacíficas de monges
budistas em Lhasa mais de duas semanas atrás. Depois de dois
dias, manifestações violentas resultaram em ataques a migrantes
chineses não-tibetanos, resultando em duras respostas das
forças de segurança.
A China diz que os monges tibetanos mataram 19 pessoas. O
governo tibetano no exílio diz que 140 pessoas morreram em
Lhasa e em outros locais, a maioria tibetanos vítimas das
forças de segurança.
Sarkozy, cujo país assumiu a presidência rotativa de seis
meses da União Européia em julho, repetiu seu pedido para que o
governo chinês dialogue com o líder espiritual do Tibet, o
Dalai Lama, que vive no exílio.
"Nós dois achamos que a única solução é a restauração do
diálogo entre autoridades chineses e o Dalai Lama a respeito da
territorialidade chinesa", disse ele.
O pedido de Sarkozy repete o que já havia dito o presidente
dos Estados Unidos, George W. Bush, que pediu na quarta-feira
por telefone ao presidente chinês, Hu Jintao, que converse com
o Dalai Lama.
Sarkozy disse na terça-feira que todas as opções deveriam
ser mantidas abertas quanto à possibilidade de um boicote à
cerimônia de abertura dos Jogos.
"Eu serei presidente da União (Européia) na época da
cerimônia de abertura. Eu devo saber o que os outros pensam
antes de estabelecer uma posição sobre se estarei na cerimônia
de abertura ou não", disse Sarkozy nesta quinta-feira.
Ao contrário de Sarkozy, Brown disse que vai encontrar-se
com o Dalai Lama em maio, uma decisão que pode despertar
insatisfação de Pequim.
Brown, cujo país vai receber os Jogos Olímpicos de Londres
em 2010, disse que a Grã-Bretanha vai participar tanto dos
Jogos Olímpicos como da cerimônia de abertura.
(Reportagem de Sophie Louet)