"Sou um iluminado de Deus", declarou Obina, xodó da torcida do Flamengo. Mais uma vez, ele brilhou em decisões. O "Anjo Negro", como é conhecido na Gávea, escorou cruzamento do atacante Diego Tardelli, balançou as redes e vibrou como se fosse um torcedor. Seu gol surgiu aos 34 minutos do segundo tempo - ele entrou aos 30, na vaga do volante Íbson. "Deus sempre me dá coisas boas. Fiz um gol muito importante." Com a vantagem, o Flamengo seguirá mais tranqüilo e confiante para o México, onde vai encarar o América, quarta-feira, pelas oitavas-de-final da Taça Libertadores da América.
Já o Botafogo não pode considerar o revés o fim do mundo. Pelo contrário. Enquanto o rival enfrentará uma viagem desgastante, o time alvinegro terá a semana livre para treinar. E vale lembrar que a equipe atuou hoje desfigurada, com quatro desfalques importantes (o lateral-direito Alessandro, o goleiro Castillo, o lateral-esquerdo Triguinho e o atacante Jorge Henrique).
Botafogo e Flamengo decidem o título estadual pelo segundo ano consecutivo. No Carioca de 2007, a equipe rubro-negra levou a melhor e o adversário reclamou bastante da arbitragem. Passado um ano, os dois times voltaram a medir forças na decisão da Taça Guanabara, e o script foi o mesmo.
O Flamengo ergueu o troféu e o Botafogo atribuiu a derrota à (má) atuação do trio de árbitros. Por esse histórico, é natural que o clube de General Severiano encare essa final como uma vingança. "Cabe a gente não deixar isso acontecer", declarou Souza, atacante do time da Gávea.
Maracanã lotado, festa bonita nas arquibancadas, rivalidade em alta e a taça de campeão em disputa. Cenário perfeito para um grande espetáculo, mas faltou o essencial no primeiro tempo: o bom futebol. Foram 45 minutos horrorosos, com muitas faltas e sem nenhuma emoção.
O clássico melhorou no segundo tempo. O Botafogo chegou a acertar uma bola na trave, num chute do zagueiro Eduardo. Já o Flamengo lançou três atacantes (Obina, Souza e Diego Tardelli) e alcançou seu objetivo. A surpresa ficou por conta do goleiro Renan, de 18 anos. Ele substituiu Castillo (machucado) e fez, no mínimo, quatro boas defesas. Demonstrou personalidade e não sentiu o peso do clássico. Não teve culpa no gol de Obina.