Por Fernanda Ezabella
SÃO PAULO (Reuters) - Voltar com medalhas na bagagem tem
sido um bom negócio para atletas brasileiros vindos dos Jogos
de Pequim.
A assessora Danielle Carvalho lembra como bateu de porta em
porta, há um ano, atrás de patrocínio para seu novo cliente, na
época um nadador pouco conhecido. Das 30 empresas que procurou,
só uma deu certo, até que surgiu a primeira medalha para César
Cielo, nos Jogos de Pequim.
"As empresas que não tinham dado retorno na fase inicial,
passaram a ligar agora, logo depois do bronze", disse a
Danielle, cujo cliente ficou em terceiro lugar nos 100 metros
livre e conseguiu, mais tarde, ouro nos 50 metros em Pequim.
Cielo, 21 anos, é sem dúvida o atleta mais assediado entre
os que estão voltando da Olimpíada de Pequim. Jovem e solteiro,
tem feito a festa de revistas femininas, para quem já fez dois
ensaios sem camisa.
Além de contratos com novas empresas, Danielle também
analisa propostas para Cielo participar de feiras e eventos de
tecnologia e velocidade, além de desfiles de moda, como o que
irá participar na noite de quinta-feira, em São Paulo, chamado
Hair Fashion Show.
"A idéia é não pegar patrocínios oportunistas, de seis
meses, e sim aqueles de longo prazo, para um próximo ciclo
olímpico", adverte a assessora.
Maurren Maggi, primeira mulher a conquistar um ouro
olímpico para o Brasil em esporte individual, surge em segundo
no quesito assédio. Ao chegar ao país na terça-feira, em sua
primeira coletiva em solo brasileiro, Maurren já foi logo
negando que toparia posar para a Playboy.
"A Sophia não deixaria", disse Maurren sobre a filha de
três anos.
A revista, no entanto, afirmou que ainda não formalizou o
convite e que irá fazê-lo mesmo assim.
"As meninas do vôlei também dariam uma capa, mas acho que a
Maurren é a melhor de todas", disse o diretor de redação da
Playboy, Edson Aran. "A Maurren é de esporte individual, as
pessoas identificam mais, fora o uniforme que é muito sensual,
o short é bem cavado, e tal."
SEIS MESES DE EXPOSIÇÃO
A Playboy tem histórico com atletas nuas em suas páginas.
Em 1996, após a Olimpíada de Atlanta, a jogadora Ida foi capa
da revista, segurando uma bola de vôlei. Em 1988, após os Jogos
de Seul, foi a vez da jogadora de basquete Hortência.
Em 2007, na esteira dos Jogos Pan-Americanos, a revista
tentou sem sucesso escalar Bia e Branca, do nado sincronizado.
Se arrastar Maurren para suas páginas parece uma tarefa
difícil, não será mais fácil com a saltadora Fabiana Murer, que
viu sua chance de medalha evaporar após o sumiço de sua vara.
"Não é meu estilo, não faz minha cabeça", disse a atleta à
Reuters.
Fabiana faz parte da agência de modelos e atletas Prime
Talents, que conta também com a ginasta Daiane dos Santos e a
jogadora de vôlei medalhista de ouro em Pequim Paula Pequeno.
Analu Montanaro, uma das três sócias da Prime Talents,
acredita que Fabiana ficou famosa em cima da tragédia da vara e
isto deverá render alguns trabalhos. Ela já foi convidada para
um desfile em São Paulo, mas não terá tempo de participar.
A expectativa de Analu é maior com Paula Pequeno, cuja
seleção volta nesta quarta-feira ao Brasil.
"Ela já é uma atleta procurada porque além de bonita, é
ótima jogadora e muito carismática. Os clientes gostam dela.
Agora com o ouro, com certeza muita coisa vai acontecer", disse
Analu.
A Prime Talents, que também tem como clientes modelos
famosas como Fernanda Tavares e Naomi Campbell, disse que a
procura pelo seu casting de atletas dobrou neste período
olímpico que --atenção, atletas-- costuma durar seis meses,
contando antes e depois dos Jogos.