RIO DE JANEIRO (Reuters) - A polícia deve indiciar por
extorsão e furto de documento um travesti envolvido num
incidente com o jogador Ronaldo, ocorrido em um motel do Rio de
Janeiro, disse nesta terça-feira o delegado responsável pela
investigação do caso.
A tentativa de extorsão ao jogador, que está no Rio
realizando tratamento de fisioterapia após passar por uma
operação no joelho em fevereiro, foi confirmada em depoimento à
polícia por outro travesti envolvido no programa, afirmou o
delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto.
"O outro travesti disse no depoimento, assinado, que a
Andréia (codinome de André Luiz Ribeiro Albertino) pediu 50.000
reais a ele (Ronaldo)", disse o delegado a jornalistas.
"É bem provável que ele seja indiciado por extorsão, foi o
próprio companheiro que disse isso", acrescentou.
Além do eventual indiciamento por extorsão, que tem pena
prevista de 4 a 10 anos de prisão, Albertino ainda pode ter que
responder pelo furto do documento do carro do jogador. De
acordo com o delegado, o travesti teria pego o documento sem
conhecimento do jogador.
Segundo a polícia, Ronaldo envolveu-se no episódio após
deixar uma boate na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, e
seguir para um motel do mesmo bairro acompanhado de
prostitutas, na madrugada de segunda-feira.
Segundo a polícia, depois de perceber que se tratavam de
travestis, o atacante teria oferecido 1.000 reais para os três
desistirem do programa e manterem silêncio sobre o caso. Dois
travestis teriam aceitado o acordo, mas o terceiro,
identificado como André Luiz Ribeiro Albertino, teria cobrado
50.000 reais para que o assunto não fosse vazado para a
imprensa, ainda de acordo com a polícia.
O delegado afirmou também que pretende ouvir Ronaldo e os
três travestis na próxima semana, e acrescentou que só vai
fazer o indiciamento após ouvir todos os envolvidos.
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira, a assessoria
de imprensa do jogador do Milan informou que não há "qualquer
possibilidade de o jogador comparecer à delegacia", uma vez que
não foi registrada nenhuma queixa-crime contra ele.
Na delegacia onde o caso foi registrado na segunda-feira,
Albertino acusou o atacante de ter ameaçado agredi-los caso
eles falassem sobre o assunto publicamente e de lhes pedir que
comprassem drogas.
De acordo com o delegado, Ronaldo negou em depoimento que
tenha ingerido drogas e alegou estar sendo vítima de extorsão.
"Vamos ouvir a Andréia na semana que vem para saber
realmente se houve ameaça por parte do Ronaldo", afirmou. "Não
posso ajudar o Ronaldo porque ele é o Ronaldo. Temos que
preservar os direitos de todas as pessoas."
Na nota, a assessoria do jogador acrescenta que "Ronaldo
jamais foi usuário de drogas" e diz que o atacante tem uma
consulta marcada com o médico francês Gérard Saillant (que
operou seu joelho), em Paris, para o início de maio, sem
precisar a data.
De acordo com o breve comunicado, "os indícios apontam para
uma tentativa de extorsão, onde o atacante do Milan é a única
vítima e, se necessário, tomará as atitudes cabíveis."
(Por Pedro Fonseca, com reportagem da Reuters TV)