SÃO PAULO (Reuters) - O Clube Pinheiros admitiu nesta sexta-feira que a ginasta campeã do mundo em 2003 Daiane dos Santos, flagrada em exame antidoping, fez uso de substância proibida durante tratamento médico, mas culpou a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) pelo resultado positivo.
Daiane, de 26 anos, foi submetida a um exame fora de competição em julho, informou a Federação Internacional de Ginástica (FIG), e testou positivo para a substância furosemida, encontrada em medicamentos diuréticos. A ginasta, que se recupera de uma cirurgia no joelho, não disputa nenhum torneio desde os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008.
Em nota, o Pinheiros afirmou que o afastamento da ginasta para recuperação foi informado em outubro de 2008 ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e à CBG, que excluiu Daiane da Seleção Brasileira permanente de ginástica, tornando-a inelegível para a realização de exames antidopings.
Segundo o clube, caberia à Confederação notificar a FIG sobre a situação da atleta, a fim de evitar a abertura de procedimento investigatório por uso de substância proibida.
O Pinheiros afirmou também que, entre julho e agosto deste ano, Daiane realizou tratamento de redução de gordura localizada com o uso da substância furosemida e que os medicamentos utilizados estavam relacionados na ficha da atleta.
"Portanto, quando Daiane foi submetida ao teste realizado diretamente pela FIG, em 2 de julho de 2009, encontrava-se em tratamento fisioterápico visando readquirir condições para retornar à prática desportiva", diz a nota.
A Federação Internacional informou em comunicado que o caso de Daiane foi encaminhado à comissão disciplinar da entidade, que vai julgar o processo. A ginasta tem até o dia 13 de novembro para explicar sua posição.
Após a decisão da comissão disciplinar, a ginasta ainda poderá recorrer ao tribunal de apelação da FIG, acrescentou a nota no site da entidade.
O COB, em nota, lamentou o episódio envolvendo Daiane, mas reafirmou a sua posição de "tolerância zero" ao doping.
Segundo o código da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), a suspensão indicada para o primeiro caso de doping de um atleta é de dois anos. Em caso de reincidência, a Wada defende a exclusão definitiva do esporte.
A brasileira, especialista nas provas de solo, foi campeã do mundo da modalidade em 2003 em Anaheim, nos Estados Unidos.
Daiane disputou os Jogos Olímpicos de Atenas 2004 e Pequim 2008. Na Grécia, ela chegou como grande favorita ao pódio, mas errou a execução de um salto na final e acabou em 5o lugar. Quatro anos depois, ela voltou à final olímpica e ficou em 6o.
(Por Hugo Bachega e Pedro Fonseca)