Já escrevi neste espaço sobre a melancólica participação de Ronaldo ex-Fenômeno no Comitê Organizador da Copa, o COL. Agora Ronaldo parece ter um parceiro a sua altura na empreitada: Neymar.
Eu ia escrever sobre as declarações recentes do jogador santista, mas o jornalista Fabio Chiorino, publicado no ótimo blog esportivo Esporte Fino, não deixou absolutamente nada a acrescentar :
A turba de Ricardo Teixeira
Novas denúncias de desvio de dinheiro e corrupção colocaram Ricardo Teixeira na berlinda. Sua renúncia ainda não se confirmou, mas continuam a surgir evidências de, ao menos, um possível afastamento.
Entretanto, o que mais surpreende diante desse novo cenário é o apoio que o presidente da CBF passou a receber, especialmente de dois fenômenos do marketing esportivo contemporâneo: Ronaldo e Neymar.
Teixeira calculou a importância de convocar um notável para presidir o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. Nada melhor do que escolher Ronaldo, reconhecido mundialmente, admirado por tantas conquistas e superações. O escudo perfeito. Então, não surpreende a declaração de Ronaldo dizendo que "o futebol deve muito a Ricardo Teixeira" e que lamentaria sua possível saída.
Neymar, por sua vez, levou a discussão para a esfera particular. Elogiou o presidente e reforçou que sempre foi muito bem tratado por ele. O que explica esse quase agradecimento, esse constrangedor beija-mão? Talvez Nike, Vivo, Guaraná Antártica, Seara e Gillette — cinco patrocinadores da entidade, que também fecharam contratos milionários com o grande nome do futebol brasileiro atual.
Não se cobra aqui que os esportistas venham a público criticar abertamente Ricardo Teixeira. Eles não são obrigados a isso e muito menos se espera uma postura de oposição. Não faz parte da cultura do jogador brasileiro, tradicionalmente omisso e que compactua com quem está no poder. Porém, acontece justamente o contrário. Em vez de simplesmente se calarem, ídolos expõem uma posição subserviente a Ricardo Teixeira, ignorando o clamor de toda uma sociedade pelo fim do coronelismo no futebol.
Ronaldo e Neymar representam hoje um retrocesso moral. Máquinas de dinheiro que buscam não se comprometer a ponto de provocar prejuízos financeiros. Não se tratam de aliados, mas sim de parceiros comerciais. Vivemos a era dos falsos heróis, protagonizada por personalidades que só se preocupam com a revolução de suas próprias contas correntes. A festa dessa turba não tem hora para acabar.

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