Os novos carros continuam os testes em Barcelona. A Red Bull parece mesmo à frente, a Force India vem bem, a McLaren permanece discreta e a Ferrari, bem, a Ferrari preocupa apenas aos que vestem vermelho. Os outros devem estar tranquilos com os desempenhos meia-boca apresentados nas primeiras centenas de voltas da pré-temporada. Mas o assunto que mais me chamou atenção nos últimos dias foi a dispensa de Trulli, o pobre Jarno Trulli. Ok, "pobre", com aspas, já que Jarno, em 15 anos de Fórmula 1, já garantiu a aposentadoria dos netos com suas vinícolas e hotéis.
Jarno Trulli, já desmotivado ao voltar a correr por uma equipe pequena
Trulli, porém, teve um fim indigno. Ao contrário de Rubens Barrichello, Jarno não teve a oportunidade de se despedir na última corrida do ano. Até a semana passada, era piloto da Caterham para a temporada 2012. Aí Vitaly Petrov apareceu com alguns cargueiros Antonov recheados de euros para comprar a vaga do italiano. E assim, a F1, esta insensível, começa uma temporada sem italianos, o que aconteceu pela última vez em 1969.
Ninguém que efetivamente manda no circo se importa. Nem Bernie Ecclestone (aliás, muito menos Bernie Ecclestone) nem Luca di Montezemolo nem qualquer chefe de equipe, embora Stefano Domenicali tenha dito que "está muito triste". Caso contrário, teriam arrumado um jeito de manter Trulli no grid. Nem o próprio Trulli parece se importar, já que sabe de cor e salteado como o negócio funciona.
Bem, se eles não se importam, muito menos eu. Trulli não pode reclamar da falta de chances. O exímio kartista apoiado por Flávio Briatore começou em 1997 com a Minardi, despontou como talento, logo foi para a Prost (1998-1999), passou pela Jordan (2000-2001) e depois teve sua chance na Renault (2002-2004), ao lado de Fernando Alonso, onde venceu a única prova na carreira, o GP de Mônaco de 2004 — como Jean Alesi, que correu por Ferrari e Benetton e acabou vencendo apenas o Canadá de 1995.
Trulli e Briatore: dupla extravagante comemora única vitória do piloto, em 2004E foi na mesma Renault que lhe deu a única vitória, com o mesmo empresário que o levou até a F1, que sofreu um dos maiores processos recentes de "fritura" de um piloto. Briatore execrou Trulli e o colocou para fora da equipe antes do final da temporada. Jarno, então, assinou com os abonados japoneses da Toyota com um projeto para levar a equipe ao topo. Não conseguiu. Chegou apenas a duas poles e sete pódios em cinco temporadas.
Com a saída da Toyota, foi para a antiga Lotus verde, que virou Caterham. E lá tornou-se praticamente um aposentado em atividade, mal conseguindo acompanhar Heikki Kovalainen.
Sim, Trulli já vai tarde. Estava mesmo de saco cheio de andar no fundo do grid e perdeu o elemento "faca nos dentes" desde que saiu da Toyota. Só achei meio triste a história de ter sido sacado na pré-temporada, mas não surpreende em se tratando de F1 e dos tempos atuais. Tempos sem grandes montadoras, época que curiosamente se consolidou com o fim da Toyota, em 2009. Em outros tempos, Trulli teria ficado.
Agora não. Agora quem manda são Petrovs, Sennas, Maldonados, Perezs, Karthikeyans e suas verbas milionárias. Que pelo menos façam por merecer.

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