Ana Beatriz Moser foi uma das grandes jogadoras do vôlei mundial. Atuou pela Seleção nos Jogos de Seul (1988), Barcelona (1992) e Atlanta (1996, conquistou o bronze). Ela comenta os Jogos de Pequim 2008 pelo Yahoo! Esportes.

E acabaram ganhando também no quadro geral do vôlei (quadra e praia): quatro finais, 3 ouros para os EUA. O Brasil fez 3 finais e levou o outro ouro.
Na quadra masculina, para quem assitiu as duas últimas partidas dos norte-americanos (contra Sérvia e Rússia) já previa muita dificuldade para o time do Bernardinho. Os EUA enfrentaram e venceram todos os melhores times que estavam em Pequim e apresentaram as credenciais para o ouro. Um grande levantador, um gigante na saída de rede e um excelente jogo defensivo. Foi a melhor equipe e mereceu.
O Brasil não suportou o nível de jogo e na verdade, na trajetória olímpica, o Brasil deve agradecer muito a vitória da Polônia contra a Rússia no último jogo da fase classificatória, aquele resultado que nos colocou em primeiro da chave. Assim cruzamos com China e depois Itália na semifinal, fomos superiores e chegamos na final.
Depois da prata, nossos representantes disseram que em Pequim acaba um ciclo de 8 anos daquele grupo. Bernardinho já planeja a renovação para o próximo período olímpico. Mas acho que, na verdade, aquele ciclo terminou ano passado, antes do Pan-Americano do Rio, e a renovação já começou. Bom para o Brasil, que pode começar 2009 um pouco mais distante dos traumas naturais de uma reconstrução.
Agora, relembrando uma história de bastidores que aconteceu logo após a conquista do ouro em Athenas, me vem uma dúvida que não resisto a dividir aqui. Naquela oportunidade, a Confederação de Vôlei iria premiar as duas seleções, como de praxe, somente em caso de ouro. Cada equipe tinha um prêmio combinado, sendo que o do feminino era menor do que o masculino, seguindo uma cultura de maior valorização dos homens, seja nos pró-labores e prêmios, justificado sempre pelo retrospecto. Afinal as mulheres nunca haviam sido campeãs olímpicas, diferentemente do masculino.
Pois bem, acontece que o feminino perdeu em Athenas, o masculino venceu e a CBV decidiu repassar o prêmio que era destinado ao feminino (= ouro) para o masculino, reforçando o prêmio inicial, já que só os homens tinham levado o ouro. Com a história escrita em Pequim, será que a CBV vai usar do mesmo critério e engordar a premiação das mulheres? Que iria ser uma bela gordura, isso sim seria, afinal a promessa (veja aqui) era de R$ 4,7 milhões, um belo up-grade, ein?
PS.: Para quem ainda não visitou, deixem uma mensagem também no Post em homenagem ao ouro do feminino. Está bem legal.

Foi o que eu consegui dizer quando a Logan Tom, melhor jogadora do time norte-americano, atacou para fora dando o 25o. ponto do 4o. set para o Brasil. Elas conseguiram! Tantas tentaram, quantas lágrimas derramadas, quantos treinos, viagens e campeonatos disputados por gerações de voleibolistas foram necessários para chegarmos neste ouro olímpico.
O time do Zé Roberto (Fofão Waleska, Mari, Paula, Sheila Fabiana, Fabi, Carol, Sassá, Jaqueline, Thaisa e Valeskinha) deu um grande presente para um sem número de mulheres que deixaram o suor nos degraus anteriores a esta conquista.
Eu tinha certeza, disse e repeti. Via muito merecimento a trajetória desse grupo, que teve que criar uma casca, um couro para se proteger de tantos ataques públicos, tanta desconfiança. E a maior alegria que eu tenho hoje é por saber que, passada esta Olimpíada, nenhuma atleta de voleibol vai precisar explicar alguma coisa sobre fraquezas mentais e falta de coragem.
Que presente o voleibol feminino deu para as atletas e mulheres do Brasil.
O Zé Roberto, com muita competência e uma fé inabalável, protagonizou uma história muito parecida com o outro ouro olímpico que ele tem na bagagem, dos homens em Barcelona 92. Também aquela foi a primeira conquista do naipe, com uma equipe nova e surpreendente, que foi passando por cima dos adversários, ao mesmo tempo em que mantinha a discrição e humildade. Só depois de Barcelona que o Brasil descobriu Tande, Giovane, Marcelo Negrão, Carlão e Maurício, que foram tão superstars quanto os meninos do Bernardinho, os quais deram seqüência ao cartel de conquistas.
As meninas, por outros motivos, também se mantiveram fechadas, concentradas e alheias a qualquer esboço de euforia. Sabiam que bastava um vacilo para voltar tudo de ruim para elas. Sabiam também que só o ouro as "salvaria". Agora é delas, e do voleibol brasileiro, CAMPEÃO OLÍMPICO, como poucos, representando muitos, como eu, que agradeço o presente.
Parabéns Zé Roberto, Zé Elias, Paulinho, Ricardo, Claudinho, Dr. Júlio Nardeli, Fofão e Wal. Meus amigos, VALEU!
Eu aposto que sim. E estou mesmo empenhando minha palavra: Este é o ANO!!
A final das meninas do Brasil contra os EUA não era a final que eu projetava. Cuba era minha favorita, mas esbarrou nas norte-americanas que não deixaram as caribenhas jogarem na semifinal. Não deixaram jogar porque começaram e se mantiveram muito aplicadas taticamente no saque e no bloqueio.
Além disso, os EUA estão vivendo um excelente momento das suas atacantes de extrema, como a Logan e a Haneef. Para vencê-las precisamos sacar e bloquear muito bem também. E arrumar o nosso esquema quando as americanas usarem o saque curto que Japão e China tentaram usar contra nós. Elas, as asiáticas, mostraram para as americanas qual o caminho para complicar nossa variação de ataque.
O Brasil precisa cuidar do seu jogo, com concentração e vibração. Se jogarmos como fizemos nas 7 partidas anteriores, quando fomos soberanos em todos os fundamentos, o ouro já é nosso, porque as americanas não irão suportar esse nível de jogo.
Elas sabiam como jogar contra Cuba, e também sabem jogar contra o Brasil. Só que o Brasil está jogando mais e errando muito menos do que as cubanas, americanas, italianas e russas. Está mesmo muito melhor do que todo mundo. Só falta confirmar o último jogo, o mais difícil, a inédita final olímpica.

E foi por puro preconceito. Depois de ver o Jardel, achei que a Maurren também não chegaria, mesmo com as detentoras das duas melhores marcas do ano fora da final do salto: uma ucraniana foi expulsa por doping, outra portuguesa falhou nos saltos e não passou para as finais.
Assumo o equívoco, Maurren mostrou força e determinação. Muito mais madura do que quando ela saltava 7,26m. Deu a volta por cima com honra e glória. Parabéns!! Você e seu técnico (Nélio Moura) merecem.

E o que mais se escuta por aí são os debates sobre o desempenho e as reações dos atletas brasileiros. Os nossos "favoritos" tiveram destinos tão diversos quanto suas histórias. Vamos citar só alguns, porque com quase 300 atletas na delegação brasileira em Pequim, de muitos posts precisaríamos.
O Vôlei de Praia masculino ainda pode ser ouro e bronze, só que contra a lógica, pois os campeões olímpicos perderam a semi para a segunda dupla, Márcio e Fábio. Mas foi no feminino que não levamos nada, com Ana Paula e Larissa perdendo cedo, e Renata e Talita caindo na fase final. Caiu mesmo, não jogou nem perto do que poderia. Elas ainda não estavam preparadas para este estágio, faltou bagagem e repertório.
E por falar em "favorito", buscando no dicionário, a gente encontra: alguém que tem favorecimento, que é o preferido, o indicado. Ou seja, é algo imposto a alguém por quem observa, e muitas vezes no esporte o favorito é aquele que está marcado para vencer. Mas só se vence depois de jogar, né? Então esse status soa mais como imposição externa mesmo, e o atleta aproveita os louros e segura o tranco, afinal ele foi eleito pelas pessoas (às vezes até por ele mesmo) como aquele a favor do qual todos irão torcer.
As mulheres guerreiras do futebol eram favoritas, mas não eram as únicas em campo. Perderam para um time fechado e com muuuito gás, depois choraram, cansadas de tanto tentar. Tentaram até o final e não fracassaram, continuam nossas preferidas. Mas não ganharam o ouro que poderia ser uma luz no fim do túnel de uma modalidade totalmente excluída no mundo machista do futebol brasileiro. Hoje elas estão tristes, mas ainda vai chegar o tempo em que elas irão olhar para trás e se orgulhar por tudo isso. Como vamos ganhar em campo com tanto despreparo fora dele?
Despreparo não falta para o Vôlei de quadra. Finalmente, nunca mais vou ter que responder a mesma pergunta recorrente dos últimos 12 anos: Por que as mulheres não vencem no final??? Vencem sim, olha aí o time do Zé Roberto que não me deixa mentir. Essas são favoritas com toneladas de desconfiança, o que fez com que elas se fechassem numa jornada só delas, se prepararam e estão lidando muito bem com toda a pressão olímpica. Mas ainda faltam os EUA, que não chegaram à final por acaso. Venceram Cuba por 3 x 0 e deixaram as caribenhas perplexas. Minha aposta é ouro pro Brasil. Mas ainda falaremos disso amanhã.
Hoje tem Vôlei Masculino contra a Itália, na semifinal. Esses vêm travando uma espécie de batalha com a opinião pública (mídia, especialmente) desde as derrotas da Liga Mundial. Os maiores favoritos do Brasil se viram encurralados tendo que provar que ainda são os melhores. Pelo menos é isso que eles passam para quem assiste.
Por último, o maior favorito da vela, Robert Scheidt, que lutou contra ventos fracos e brilhou nos ventos fortes. Sheidt se mantém no topo (favorito) há 12 anos, desde a primeira medalha de ouro (Classe Laser) em Atlanta. Como seu esporte não é popular, fica mais tranquilo. Além do que a formação pessoal (os valores, a conduta e a cultura) é primordial para uma pessoa conseguir driblar todas as dificuldades e equívocos durante tanto tempo.
Podemos concluir que, na verdade, o que temos são experiências e histórias muito particulares: quem tem maior preparo antecipa muitas das armadilhas e se concentra no que interessa. Assim o caminho para a confirmação do favoritismo fica mais fácil. A questão é que, no Brasil, cada um, ou cada equipe, se prepara de acordo com o que tem acesso. Ainda pecamos muito em estrutura, mesmo com o tanto de $$ destinado ao esporte nos últimos 6 anos.
Não há clareza no planejamento de muitas das modalidades e atletas que estão em Pequim. E nenhum desses dirigentes admitem avaliação do trabalho de preparação que eles ofereceram, dizem que não se pode julgar pelo número de medalhas, afinal o esporte é imprevisível. Assim fica fácil, pois só os atletas é que tem que carregar o favoritismo, e depois explicar, e chorar.

Pouca gente esperava que os dois fossem capazes de uqebrar a hegemonia de Ricardo e Emanuel, mas eles fiizeram. Se bem que foi muito estranha a postura dos campeões olímpicos em quadra na semifinal de hoje. Apáticos, tensos e sem vibração, Ricardo e Emanuel erraram os ataques mais importantes e viram Márcio e Fábio chegarem à final.
Nós aqui acompanhamos o final da caminhada de classificação dos finalistas brasileiros, ainda durante o Circuito Mundial. Não foi fácil e a decisão da vaga contra Pedro e Harley foi na última etapa, veja aí no link: http://br.esportes.yahoo.com/china2008/blog/blogdaanamoser/863/mrcio-e-fbio-luiz-se-classificam-para-pequim .
Já em Pequim, perderam o segundo jogo da primeira fase, contra um dos times austríacos, e acabou se encontrando com a outra dupla brasileira antes da final. Pena para Ricardo e Emanuel, muito bom para os finalistas. Aqui vão outros links da cobertura que fizemos desta hitória:
http://br.esportes.yahoo.com/china2008/blog/blogdaanamoser/36/essanossa-praia
http://br.esportes.yahoo.com/china2008/blog/blogdaanamoser/472/segue-a-disputa-no-vlei-de-praia
http://br.esportes.yahoo.com/china2008/blog/blogdaanamoser/458/os-darkhorses-brasileiros
http://br.esportes.yahoo.com/china2008/blog/blogdaanamoser/714/vlei-de-praia-na-frana
http://br.esportes.yahoo.com/china2008/blog/blogdaanamoser/771/um-final-de-semana-cheio-de-emoes
http://br.esportes.yahoo.com/china2008/blog/blogdaanamoser/758/reta-final-do-vlei-de-praia
| Ranking | gold | silver | bronze | Total | |
| 1. | Flag ofChina | 51 | 21 | 28 | 100 |
| 2. | Flag ofEstados Unidos | 36 | 38 | 36 | 110 |
| 3. | Flag ofRússia | 23 | 21 | 28 | 72 |
| 4. | Flag ofGrã Bretanha | 19 | 13 | 15 | 47 |
| 23. | Flag ofBrasil | 3 | 4 | 8 | 15 |
Quem escondeu a vara da brasileira Fabiana Murer?