




Amsterdã, capital da Holanda, sediou os primeiros Jogos sem a presença do Barão de Coubertin à frente do Comitê Olímpico Internacional (COI) - ele foi substituído pelo belga Henri de Baillet-Latour, membro do organismo desde 1903 e que levou a competição para a Antuérpia.
O francês pediu para deixar a Presidência em 1925, afirmando que sua missão estava cumprida e, ao mesmo tempo, mostrando certa desilusão pelo que considerava o desvirtuamento do ideal olímpico: a profissionalização dos atletas e a presença de mulheres, que foram admitidas logo após a sua saída.
O Barão não participou da abertura por motivo de saúde, deixando uma carta, e viria a morrer em setembro de 1937, na cidade suíça de Genebra, como presidente honorário do COI.
A Alemanha, ausente desde 1912, voltou às disputas, e as mulheres invadiram as competições de atletismo (disputaram os 100 e 800 metros, revezamento 4 x 100m, salto em altura e lançamento de disco) e ginástica (por equipes).
O atletismo teve novamente os finlandeses como destaque, com Paavo Nurmi levando o ouro nos 10.000 metros e pratas nos 5.000m e 3.000m com obstáculos, e Ville Ritola faturando os 5.000m. O japonês Mikio Ode, no salto triplo, foi o primeiro campeão de um país asiático e o argelino naturalizado francês Boughera El Ouafi anunciou o que seria o início do domínio africano na maratona, conquistando o ouro.
O Brasil não mandou representantes a Amsterdã devido à crise econômica que assolava o país.
Nesta edição dos Jogos, a tocha foi acesa pela primeira vez, desde o início da Era Moderna, nas ruínas de Olímpia, na Grécia, onde aconteciam os Jogos Olímpicos da Idade Antiga. Uma vez acesa, a chama foi levada até a Holanda, dando início a outra tradição ligada ao evento. A competição durou de 17 de maio a 12 de agosto.
O Uruguai confirmou a supremacia no futebol ao faturar o ouro olímpico pela segunda vez, superando agora a Argentina, e firmando o apelido de "Celeste Olímpica".
AMSTERDÃ 1928 EM NÚMEROS
Países: 46.
Atletas: 2.883, sendo 2.606 homens e 277 mulheres.
Esportes: 14 (atletismo, boxe, ciclismo, esgrima esportes aquáticos - natação, pólo aquático e saltos ornamentais -, futebol, ginástica, hipismo, hóquei sobre grama, levantamento de peso, lutas, pentatlo moderno, remo e vela)
Provas: 109.
Brasil: não participou.
ESTRELA DOS JOGOS: Percy Williams (Vancouver, Canadá, 1908-1982). O pequeno atleta, de apenas 57 quilos e que completou 20 anos dois dias após o início da competição, teve desempenho discreto nas eliminatórias, mas surpreendeu os gigantes ao conquistar o ouro nas provas dos 100 e 200 metros livre. Ele começou no esporte seguindo uma recomendação médica, para combater a febre reumática.
ESPORTISTA COM MAIS MEDALHAS: Paavo Nurmi (Turku, Finlândia, 1897-1973), que se destacou em sua terceira participação nos Jogos Olímpicos. Desta vez, foi ouro apenas nos 10.000 metros, perdendo os 5.000m para seu compatriota Ville Ritola, e levou a prata também nos 3.000m com obstáculos.
QUADRO DE MEDALHAS
1º EUA Ouro: 22; prata: 18; bronze: 16. Total: 56.
2º Alemanha. Ouro: 10; prata: 7; bronze: 14. Total: 31.
3º Finlândia. Ouro: 8; prata: 8; bronze: 9. Total: 25.
BRASIL: sem medalhas
AMSTERDÃ EM 1928
Os holandeses perderam por pouco a disputa pelos Jogos de 1920 e 1924 e insistiram até conseguir a edição de 1928. As seqüelas da Primeira Grande Guerra ainda permaneciam, mas os ferimentos mais superficiais já começavam a se fechar. Amsterdã serviu para aplacar os ânimos de uma Europa arrasada.
A tranqüila Amsterdã de 1928 organizou os Jogos Olímpicos na época em que os nacionalistas de Chiang Kai-shek entraram em Pequim e encerraram a guerra Civil na China. A primeira travessia aérea do Atlântico é realizada, a bordo do monomotor "Spirit of Saint", com o percurso entre Nova York e Paris, foi feita em 33 horas. O cinema começou a ter voz, e o aumento das Bolsas antecipou a chamada Crise de 1929, que arrasou a economia dos Estados Unidos.
A abertura dos Jogos de Amsterdã também assentou as bases para a disposição das delegações no desfile de abertura: primeiro a Grécia, depois os participantes e, por último, o anfitrião.
Países de todos os continentes faturaram medalhas de ouro nesta edição: Argentina (boxe e natação), Índia (hóquei sobre grama) e Nova Zelândia (boxe). Sylvio Castor, representante único da delegação do Haiti, obteve desempenho surpreendente ao levar a prata no salto em distância.