






Na chegada dos Jogos a Barcelona, em 1992, as estrelas da NBA e seu chamado Dream Team foram a maior atração de um evento marcado pela liberação de profissionais em todos os esportes. Para o espanhol Juan Antonio Samaranch, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), natural da cidade, foi a melhor edição de todos os tempos.
Barcelona se esforçou para cumprir a missão de sediar os Jogos de 1992 da melhor forma possível. Utilizando recursos no total de US$ 20 bilhões, a cidade foi completamente remodelada enquanto o povo abraçava o evento, que finalmente chegava à cidade após as tentativas frustradas dos anos de 1924, 1936 e 1972.
Com o fim da União Soviética, em 1991, as nações desmembradas preferiram competir juntas, sob a bandeira da Comunidade de Estados Independentes (CEI). O resultado foi uma força igual à do extinto bloco socialista, com potências como Rússia e Ucrânia unidas, e a vitória no quadro geral de medalhas, com 45 medalhas de ouro contra 37 dos Estados Unidos.
Os donos da casa tiveram como prêmio pelo esforço a sexta colocação geral e a alegria de comemorar o ouro no futebol, esporte mais popular do país. Os Jogos começaram dia 25 de julho e terminaram em 9 de agosto.
Mesmo derrotados no quadro de medalhas, os Estados Unidos foram o centro das atenções, levando o Dream Team do basquete masculino, recheado de astros da NBA como Michael Jordan, Magic Johnson, Pat Ewing, Karl Malone e Larry Bird, entre outros. Foram oito vitórias em igual número de partidas, com show em todas elas e, provavelmente, a medalha de ouro mais fácil da história dos Jogos Olímpicos.
Ainda pelos Estados Unidos, Carl Lewis ganhou duas medalhas de ouro - salto em distância e revezamento 4x100 metros -, enquanto o bielo-russo Vitaly Scherbo conquistou seis vitórias na ginástica para a CEI (combinados individual e por equipe, barras paralelas, salto sobre o cavalo, cavalo com alça e argolas, sendo quatro delas num mesmo dia).
No atletismo também brilhou o americano Kevin Young, que conseguiu bater a melhor marca mundial dos 400m com barreiras de seu compatriota Edwin Moses, e os revezamentos 4x100 e 4x400 metros, entrando à história com outros recordes.
O britânico Linford Christie foi ouro nos 100 metros rasos, enquanto a americana Gail Devers venceu a prova feminina. O cubano Javier Sotomayor venceu o salto em altura. Uma das grandes decepções foi Serguei Bubka, eliminado no salto com vara logo no início - ele era favoritíssimo ao ouro.
Barcelona representou mais três medalhas olímpicas para o Brasil, sendo duas de ouro.
Uma delas veio com Rogério Sampaio, vencedor da categoria peso meio leve do judô. Desacreditado, ele venceu o húngaro Jozsef Csak na final pela contagem de pontos.
Já o vôlei, comandado por José Roberto Guimarães, venceu as oito partidas que disputou e acabou em primeiro lugar ao bater a Holanda por 3 sets a 0, com parciais de 15-12, 15-8 e 15-5.
O grupo, que tinha nomes como Tande, Carlão, Giovane, Marcelo Negrão, Maurício e Paulão, passou a ser chamado de "geração de ouro" e entrou para a história como o primeiro a dar ao Brasil a vitória num esporte coletivo em Jogos Olímpicos.
As meninas, por sua vez, ficaram em quarto lugar, perdendo o bronze para os EUA.
Completando as premiações do Brasil, Gustavo Borges ficou em segundo lugar nos 100 metros livre e conquistou a prata.
O hóquei sobre patins participou como esporte demonstração e a equipe brasileira ficou em quinto lugar.
A natação ficou marcada pela quebra de 11 recordes mundiais e 26 olímpicos. Os destaques foram Alexander Popov e Yevgeny Sadovyi, da CEI, além dos húngaros Tamas Darnyi e Krisztina Egerszegi.
No boxe, o domínio foi dos cubanos, que faturaram sete dos 12 ouros em disputa. Uma das exceções foi o americano Oscar de la Hoya, vencedor da categoria leve.
Um dos feitos mais marcantes coube à etíope Derartu Tulo. Ao vencer a prova dos 10.000 metros, ela se tornou a primeira africana negra a conquistar um ouro olímpico. A sul-africana branca Elana Meyer, segunda colocada, deu a volta olímpica de mãos dadas com Tulo, simbolizando a integração racial na África.
BARCELONA 1992 EM NÚMEROS
Países: 169.
Atletas: 9.366, sendo 6.652 homens e 2.704 mulheres.
Esportes: 28 (atletismo, badminton, beisebol, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, esportes aquáticos - natação, nado sincronizado, pólo aquático e saltos ornamentais -, futebol, ginástica, handebol, hipismo, hóquei sobre grama, hóquei sobre patins - exibição -, judô, levantamento de peso, lutas, pentatlo moderno, pelota basca - exibição -, remo, vela, taekwondo - exibição -, tiro com arco, tiro esportivo, tênis de mesa, tênis, vela e vôlei).
Provas: 257.
Brasil: 197 atletas, sendo 146 homens e 51 mulheres. O país participou de 21 esportes (atletismo, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, esportes aquáticos - natação, nado sincronizado e saltos ornamentais -, ginástica, handebol, hipismo, hóquei sobre patins - exibição -, judô, levantamento de peso, lutas, remo, tênis, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo, vela e vôlei).
DESTAQUE DOS JOGOS: Equipe de basquete dos Estados Unidos, comandada por Chuck Daly e formada por Michael Jordan, Magic Johnson, David Robinson, Patrick Ewing, Larry Bird, Scottie Pippen, Clyde Drexler, Karl Malone, John Stockton, Chris Mullin e Charles Barkley, todos eles profissionais da NBA, e mais o universitário Christian Laettner.
ESPORTISTA COM MAIS MEDALHAS: Vitaly Scherbo (Minsk, Belarus, 1972). O ginasta, que competiu pela Comunidade dos Estados Independentes (CEI), conquistou seis vitórias na ginástica para a CEI (combinados individual e por equipe, barras paralelas, salto sobre o cavalo, cavalo com alça e argolas, sendo quatro delas num só dia).
QUADRO DE MEDALHAS
1º CEI (ex-URSS). Ouro: 45; prata: 38; bronze: 29. Total: 112.
2º EUA. Ouro: 37; prata: 34; bronze: 37. Total: 108.
3º Alemanha. Ouro: 33; prata: 21; bronze: 28. Total: 82.
25º BRASIL. Ouro: 2 (Judô - meio-leve - Rogério Sampaio)
(Vôlei - Amauri Ribeiro, Antonio Carlos Gouveia - Carlão -,
Douglas Chiarotti, Giovane Gavio, Janélson Santos Carvalho,
Jorge Édson Brito, Marcelo Negrão, Maurício Lima, André Felipe
F. Ferreira - Pampa -, Paulo André Jukoski Silva - Paulão ,
Talmo Curto de Oliveira e Alexandre Samuel - Tande. Técnico:
José Roberto Guimarães).
Prata: 1 (Natação - 100m livre - Gustavo Borges)
BARCELONA EM 1992
Barcelona se preparou para organizar os Jogos Olímpicos por muito tempo. O Comitê Organizador de 1992 inovou ao montar a infra-estrutura do evento - o que incluiu a reforma do Estádio Olímpico de Montjuic, construído em 1936, e o estádio coberto Palau Sant Jordi, com capacidade para 15.000 espectadores.
A cerimônia de inauguração ficou na memória coletiva como a mais bela e inovadora de toda a história dos Jogos. A cidade, que vai do gótico ao modernista e é berço de artistas como o arquiteto Gaudí, entre outros, surpreendeu a todos pela boa organização.
Após a realização dos Jogos de 1988, em Seul, muita coisa mudou no mapa mundial. Com o fim da União Soviética, as repúblicas que a formavam tiveram de competir como Comunidade dos Estados Independentes (CEI) - contudo, os países de cada atleta tinham suas bandeiras içadas em caso de vitória. A Albânia voltou após 30 anos, enquanto Cuba, Coréia do Norte e Etiópia também puseram fim ao seu boicote.
A Iugoslávia, punida pela ONU devido à agressão militar às repúblicas da Croácia e da Bósnia, foi proibida de participar das competições por equipes, mas os competidores individuais puderam atuar como "atletas olímpicos independentes".
Livres da ocupação soviética, Estônia, Letônia e Lituânia foram aos Jogos como independentes, assim como Croácia, Eslovênia e Bósnia-Hezergovina. A África do Sul, com o fim do apartheid, também voltou à disputa, e a Alemanha participou como um só país, com as partes Ocidental e Oriental unificadas.
JUAN A. MEDINA
EFE REPORTAGENS