COI: afastado da tempestade em Pequim
afp - Qui, 07 Ago - 16h10
PEQUIM (AFP) - Detenções, protestos, manifestações... na véspera da abertura de uma Olimpíada polêmica, os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) seguem afastados da tempestade, isolados em sua fortaleza num hotel de Pequim, ocupados com tarefas administrativas anacrônicas.
Nesta quinta-feira, enquanto do lado de fora se falava de "política", "censura", "direitos humanos", o grande assunto para os dirigentes reunidos no último dia da 120ª sessão do COI foi decidir onde acontecerá... a 123ª assembléia em 2011.
A escolha da cidade sede de uma sessão é uma eleição árdua para os 115 membros do COI convidados a passar quase 10 dias na localidade ao lado da mulher, ou marido.
Ao fim de uma apresentação interminável, digna de uma cidade candidata à sediar os Jogos Olímpicos, Durban e sua "assombrosa reserva de elefantes", elogiada em um filme promocional, foi escolhida em detrimento de Hong-Kong, "paraíso das compras isento de impostos".
Desde o início da sessão, terça-feira, os membros do COI não permitiram a entrada na reunião do clima das ruas.
Quando na manhã de quarta-feira, um dia depois de outra jornada marcada por duras discussões sobre a censura na internet, o presidente do COI, Jacques Rogge, iniciou a sessão com críticas à imprensa, muitos pensaram por um momento que o vírus do debate havia contaminado o 18º andar do imponente hotel bunker, cercado por um perímetro de segurança de dezenas de metros, a dois passos da praça da Paz Celestial.
Porém, não foi o que aconteceu. Rogge queria apenas acabar com as incursões de alguns representantes da imprensa ao bar reservado aos membros do COI.
Desde o início da crise provocada pela repressão dos distúrbios antichineses no Tibete, o COI não se afastou em nenhum momento da postura de neutralidade que marca a Carta Olímpica, que proíbe o comitê de tratar de outra coisa que não seja a organização do maior evento esportivo do planeta.
Questionado na quarta-feira sobre os incidentes do dia - detenção de manifestantes estrangeiros, limitação da autorização de trabalho da imprensa, revogação de um visto a um atleta, etc... - Giselle Davies, diretora de comunicação do COI deu aos jornalistas a resposta previsível "Confiamos nas autoridades chinesas para avaliar cada situação e agir de forma adequada".
Apenas Dick Pound, famoso por suas críticas e pela rivalidade com Rogge, foi um pouco subversivo durante a semana pré-olímpica.
O canadense, cujo país esteve, nas palavras do próprio, "à beira do boicote", pediu ao COI que fizesse um mea-culpa por não ter previsto os problemas nos sete anos que se passaram desde a designação dos Jogos a Pequim.
"Por não terem sido previstos, o COI os Jogos estiveram à beira do desastre", afirmou Pound.
Porém, com a abertura olímpica em 8 de agosto de 2008 do evento, o presidente prometeu que a "magia de Jogos históricos para o movimento olímpico" se imporia ao barulho das ruas.
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